Termos negociados entre EUA e Irã retomam status quo antes da guerra, afirma Guga Chacra em newsletter especial Mulher com bandeira do Irã em protesto contra os Estados Unidos na Praça Hafte Tir, em Teerã — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 05:23 Negociações EUA-Irã: Reabertura do Estreito de Ormuz e Impacto Global Negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Paquistão, podem restaurar o status quo pré-guerra, com a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos. Apesar do acordo não abordar o programa nuclear iraniano, o Irã emerge geopoliticamente fortalecido, enquanto os EUA, sob Trump, perdem influência. A resposta iraniana superou expectativas, impactando o comércio global de petróleo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Os Estados Unidos e o Irã avançaram nas negociações mediadas pelo Paquistão para encerrar o conflito. Ainda falta o aval final dos líderes de ambos os países, mas os dois lados demonstram otimismo. O acordo visa apenas a reabertura do Estreito de Ormuz pelo regime de Teerã e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Não estão previstas, neste primeiro momento, definições sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã, tampouco sobre o apoio a grupos como o Hezbollah. Derrota de Trump – Caso realmente haja um acordo, será uma vitória do Irã. Claramente o país sairia mais fortalecido geopoliticamente. Já os EUA, apesar da superioridade militar, deixariam o conflito com menos força geopolítica, fazendo concessões aos iranianos. Seria uma derrota para Donald Trump quando levamos em consideração seus objetivos na guerra. Ala radical – Quando decidiram lançar os ataques, Estados Unidos e Israel avaliavam que o regime iraniano seria deposto ou capitularia. Nenhuma das duas coisas aconteceu. Lideranças mortas nos ataques israelenses e norte-americanos, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foram substituídas. Um novo comando, dominado por uma ala mais radical da Guarda Revolucionária, assumiu o poder. Impactos – A resposta iraniana foi bem mais forte do que o previsto pelos governos de Benjamin Netanyahu e de Donald Trump. Atacou aliados dos EUA no Golfo Pérsico e fechou o Estreito de Ormuz, impactando todo o comércio global de petróleo. A economia internacional foi afetada pelo aumento do preço do barril, e os efeitos são sentidos inclusive pela população norte-americana, com a alta da inflação. Ormuz – Passados quase 60 dias de cessar-fogo, os EUA aceitaram basicamente voltar ao status quo vigente antes dos bombardeios. Afinal, o Estreito de Ormuz estava aberto antes da ofensiva norte-americana e israelense. Trump fez toda essa guerra para reabrir o que estaria aberto se não tivesse havido os bombardeios? Aparentemente, sim. Não há, ao menos até agora, nenhuma concessão iraniana. Mais poder – O programa nuclear será negociado, mas esta não é uma mudança. Antes dos ataques, o regime de Teerã já negociava com os EUA a questão nuclear. É um retorno para o contexto anterior. A diferença é que, agora, o Irã possui maior poder de barganha para obter concessões de Trump na suspensão de sanções. Afinal, mantém a carta de poder fechar Ormuz, algo que não estava no tabuleiro antes da guerra. Renascimento do regime – Basicamente, o Irã entra nas negociações com mais força do que tinha em abril. Primeiro, porque mostrou não ser um tigre de papel ao enfrentar os norte-americanos. Segundo, por mostrar capacidade de fechar o Estreito de Ormuz. Terceiro, porque os EUA ficaram enfraquecidos perante seus aliados árabes por não conseguir protegê-los do Irã. Por último, porque o regime conseguiu se rejuvenescer e mobilizar a sua base, diferentemente de janeiro, quando estava decadente, massacrando a própria população iraniana e com um líder supremo envelhecido. Líbano – Na newsletter de amanhã, vou abordar a frente libanesa do conflito diante da possibilidade de um acordo para encerrar os ataques. Notem que não chamo de acordo de paz e tampouco de acordo final entre EUA e Irã. Os dois lados apenas calcularam, ao que tudo indica, que parar de uma vez com a guerra pode trazer benefícios se comparado a manter o conflito. Apesar disso, prefiro manter cautela até um acerto final ser assinado entre os dois lados. Melhor opção – O erro de Trump seria não fazer este acordo agora. É mesmo a opção menos ruim. A alternativa seria escalar militarmente e acabar na mesma situação em algumas semanas, talvez com efeitos negativos ainda maiores sobre a economia internacional. O presidente dos EUA se equivocou ao se sentir empoderado e cair na conversa de Benjamin Netanyahu para atacar o Irã.