PUBLICIDADE Proteção dos EUA entra em pauta em meio a temor de empoderamento iraniano, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher acompanha o pôr do sol em Doha: Catar atua como mediador nas negociações entre Estados Unidos e Irã — Foto: Karim Jaafar/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 05:14 Acordo Trump-Irã Preocupa Países do Golfo sobre Segurança e Economia O acordo entre Trump e Irã gerou apreensão nos países do Golfo Pérsico, que temem o fortalecimento iraniano, conforme analisado por Guga Chacra. As nações do Golfo, tradicionalmente aliadas dos EUA, enfrentam dilemas sobre sua segurança após os bombardeios iranianos. O fechamento do Estreito de Ormuz afetou as economias locais, levando países como Arábia Saudita e Emirados a reavaliar sua estratégia de defesa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. A nação mais prejudicada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã foi o Líbano. A maioria das vítimas fatais no conflito é libanesa. Sim, morreram mais libaneses do que iranianos. Para agravar a situação, Israel passou a ocupar o sul do Líbano, e o Hezbollah, considerado um adversário político do atual governo libanês, voltou a ficar empoderado. Mas, depois do Líbano, as nações árabes do Golfo Pérsico são as que mais sofreram impactos do embate entre norte-americanos, israelenses e iranianos. Erro do ataque ao Irã – Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita eram contra um ataque ao regime iraniano. Não havia cenário no qual o resultado pudesse ser positivo. Mesmo no caso de queda do regime, o que sempre pareceu extremamente improvável, haveria caos no Irã. Isso jamais seria do interesse dos vizinhos árabes. O mais provável, no entanto, seria acontecer o que aconteceu. Basicamente, o regime de Teerã bombardeou essas nações, fechou o Estreito de Ormuz e, no fim, sai empoderado do conflito contra os norte-americanos. Status quo anterior – Os países do Golfo preferiam que o regime de Teerã seguisse no poder enfraquecido, sem disposição para aventuras militares. Este parecia ser o cenário mais provável até fevereiro de 2026, antes dos bombardeios de Israel e dos EUA. O regime estava decadente, visto como um tigre de papel. O Hezbollah, no Líbano, havia sofrido um duro golpe com a morte de Hassan Nasrallah e a derrota na guerra para Israel. A estratégia de países como a Arábia Saudita, que vinha funcionando com sucesso, era a de convivência com o Irã, evitando atritos. Colapso da estratégia – A decisão de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu de atacar o Irã, no entanto, alterou completamente o cenário. Esses países, que priorizavam a estabilidade e investiam na melhora de suas imagens de grandes centros econômicos globais, imediatamente passaram a ser alvejados pelo Irã. Décadas de investimento para desenvolver marcas como as de Dubai e Catar começaram a ruir rapidamente. Efeito da guerra – Não que Abu Dhabi, Doha, Manama ou Riad tenham se transformado em Beirute. Não houve destruição em larga escala nos ataques do Irã. Nada próximo da devastação causada na capital libanesa pelos bombardeios de Israel. Mesmo assim, o efeito foi gigantesco. Além dos ataques, houve também o fechamento do Estreito de Ormuz, que impactou a economia desses países, em parte dependentes da exportação de petróleo. Nova estratégia – A estratégia de defesa desses países sempre esteve amparada na aliança militar com os EUA. Os norte-americanos mantêm grandes bases nesses países, que pagam caro para ter essa segurança. Este sistema, no entanto, não foi suficiente para defendê-los do Irã. Para que, então, ter esses acordos? Qual é a vantagem? Este é um questionamento que esses países passaram a fazer. Todos começaram a planejar novas formas de proteção a partir de agora. Temem o fortalecimento iraniano diante das concessões de Trump ao regime. A hora de Rubio – Na newsletter de ontem, afirmei que J.D. Vance é o responsável por negociar com o Irã. Mas caberá a Marco Rubio dialogar com os aliados norte-americanos do Golfo Pérsico. O secretário de Estado viajou para a região para tentar convencê-los de que o acordo será positivo. Não será simples. Ainda assim, todos buscam a estabilidade e temem o empoderamento iraniano. No caso de Israel, há uma divisão, como escrevi aqui no passado. Alguns buscam proximidade, como os Emirados e o Bahrein; outros, distanciamento, como a Arábia Saudita e o Catar.