Teerã voltou a afirmar controle sobre Estreito de Ormuz após declaração conjunta entre EUA e países do Golfo sobre livre navegação na hidrovia Trump responde a perguntas de jornalistas durante assinatura de decreto na Casa Branca em 22/06 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou o Irã nesta sexta-feira (26) por um ataque contra um navio próximo a Omã que, segundo ele, violou o cessar-fogo entre os dois países, após Teerã insistir que controlará o Estreito de Ormuz e advertir os países do Golfo a não se alinharem a Washington. O ataque ocorrido na quinta-feira evidenciou a fragilidade de um acordo preliminar para encerrar a guerra com o Irã. Duas autoridades americanas disseram à Reuters, sob condição de anonimato, que o Irã havia disparado contra a embarcação. Trump afirmou que um drone iraniano atingiu o convés superior do navio. “Houve danos, mas o navio conseguiu seguir viagem”, escreveu Trump na rede Truth Social. “Abatemos outros três drones. Obviamente, trata-se de uma violação insensata do nosso acordo de cessar-fogo.” Mais cedo, o Irã havia manifestado indignação com o que classificou como uma declaração “intervencionista, irresponsável e provocativa” dos EUA e de seis países do Golfo, que rejeitaram a posição iraniana de que poderia cobrar pedágios de embarcações que transitassem pelo estreito. Omã admite possíveis tarifas “A passagem segura pelo Estreito de Ormuz não pode ser garantida sob arranjos ambíguos, rotas paralelas ou processos decisórios que não levem em consideração o papel do Irã como Estado costeiro”, escreveu no X o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi. A Bloomberg News informou que Omã, situado no lado oposto do estreito em relação ao Irã, comunicou a aliados que navios que cruzarem Ormuz poderão ter de pagar tarifas. A Reuters não conseguiu confirmar imediatamente a informação. Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos realizou sua primeira conversa telefônica anunciada publicamente com seu homólogo iraniano desde o início do conflito, informou a agência estatal WAM, ressaltando os esforços para superar tensões. Segundo a agência, o xeque Abdullah bin Zayed destacou a necessidade de garantir a liberdade de navegação pelo estreito, onde o transporte marítimo havia se intensificado antes de sofrer nova desaceleração após o ataque ao navio. A televisão estatal iraniana informou que três petroleiros estrangeiros que tentavam o que chamou de “passagem não autorizada” pelo estreito foram obrigados a retornar após um alerta da Guarda Revolucionária Islâmica. Não foram divulgados mais detalhes. Questionado sobre o assunto, um funcionário do governo dos EUA afirmou: “Estamos cientes dessas informações e investigando o caso. O presidente Trump deixou claro que o Irã não pode comprometer o livre fluxo do tráfego no estreito.” Petróleo cai Os preços do petróleo recuaram cerca de 3% nesta sexta-feira e caminham para fortes perdas semanais, apesar das interpretações divergentes sobre o acordo provisório firmado na semana passada entre Irã e EUA e das novas dúvidas sobre o estreito, por onde normalmente passa um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito. A Saudi Aramco retomou nesta sexta-feira os carregamentos de petróleo bruto em seu terminal de Ras Tanura, no Golfo, o maior porto petrolífero do mundo, após uma interrupção de quase quatro meses, mostraram dados de navegação. Os embarques de fertilizantes pelo estreito também se recuperaram, ajudando a aliviar preocupações sobre uma disparada dos preços globais dos alimentos devido a um fechamento prolongado da hidrovia. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio — encerrando uma viagem pelos países do Golfo destinada a tranquilizar aliados regionais preocupados com o acordo provisório — disse a jornalistas na quinta-feira que, se o Irã ameaçar ou bloquear navios no estreito, “teremos um problema”. Em comunicado conjunto, Rubio e o Conselho de Cooperação do Golfo defenderam uma navegação “livre, incondicional e irrestrita” pelo estreito, sem cobrança de tarifas ou “tentativas de impor controle”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu nesta sexta-feira afirmando que a presença militar dos EUA no Golfo é a fonte de insegurança e divisão na região e que o estreito deve ser administrado pelo Irã e por Omã, de acordo com os termos do acordo provisório. “Advertimos contra a continuidade de políticas hostis e intervencionistas na região”, afirmou o ministério. Uma imagem aérea capturada por drone mostra embarcações no Estreito de Ormuz , a partir de Musandam, Omã, em 15 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer Irã ameaça países do Golfo Teerã assumiu o controle efetivo da hidrovia após os EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã em 28 de fevereiro. As forças iranianas também dispararam contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas, enquanto militantes do Hezbollah alinhados ao Irã atacaram Israel a partir do Líbano, reacendendo o conflito naquele país. Ali Akbar Velayati, principal assessor do líder supremo do Irã, emitiu um alerta aos aliados árabes de Washington no Golfo, afirmando que sua sobrevivência depende da tolerância de Tee A companhia taiwanesa Evergreen Marine informou anteriormente nesta sexta-feira que seu navio Ever Lovely, de bandeira de Cingapura, foi atingido na quinta-feira, próximo a Omã, por um “objeto desconhecido”, enquanto seguia uma rota recomendada pela agência marítima britânica UKMTO. Ninguém ficou ferido e a embarcação retomou sua viagem para fora do estreito. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã — criada por Teerã para administrar pedidos de passagem de navios pelo estreito — afirmou que a navegação por rotas não autorizadas será “de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação”. Trump advertiu neste mês que, caso o Irã não cumpra o acordo provisório, incluindo a reabertura do estreito, os EUA provavelmente voltarão a bombardear o país. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, disse que três navios sul-coreanos deixarão o estreito durante o fim de semana, após o Ministério dos Oceanos informar que outras oito embarcações sul-coreanas já haviam saído da região.
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