Expectativa é de que novas tratativas comecem a partir de sexta-feira, após cerimônia pela assinatura do termo inicial pelos presidentes dos dois países 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald Trump e Masoud Pezeshkian, presidentes de EUA e Irã, mostram termos assinados para trégua em guerra no Oriente Médio — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 11:56 EUA e Irã Assinam Acordo Histórico sobre Estreito de Ormuz EUA e Irã assinaram um acordo inicial para reabrir o Estreito de Ormuz e negociar questões sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano, em cerimônia marcada para sexta-feira. O presidente Trump e o presidente iraniano Pezeshkian destacaram o momento como "histórico", apesar das críticas, principalmente de Israel, que vê o acordo como uma vitória estratégica para Teerã. A liberação gradual de US$ 50 bilhões em ativos iranianos é um ponto chave dessa negociação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ao menos quatro navios abastecidos com petróleo ou gás natural liquefeito atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, em um momento em que o tráfego na rota comercial permanece quase nulo, apesar da assinatura do memorando de entendimento entre EUA e Irã na véspera, que tem como tema central a reabertura da via marítima — e o estabelecimento de um prazo de 60 dias para negociações a respeito de temas sensíveis entre os dois países, incluindo o programa nuclear iraniano, previsto para começar nesta sexta-feira, na Suíça. O acerto inicial foi assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na noite de quarta-feira, em um jantar no Palácio de Versalhes que o republicano atendeu à margem do encontro de líderes do G7. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinou o documento digitalmente, segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, e classificou o acordo como "histórico" em uma declaração nesta quinta. Mediadores do Paquistão informaram que uma cerimônia aconteceria na sexta-feira, em um hotel de luxo em Bürgenstock, uma montanha suíça com vista para o lago de Lucerna. Há a expectativa de que o vice-presidente americano, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do acordo, Mohammad Bagher Ghalibaf, compareçam ao evento. O texto firmado pelos lideres na quarta condiciona todos os termos às negociações a serem iniciadas. Com efeito imediato, apenas o prazo de 60 dias para as novas tratativas, o processo de reabertura de Ormuz — que deve ser concluído em até 30 dias, incluindo a retirada de minas navais colocadas pelo Irã — e a liberação pelo Departamento do Tesouro dos EUA de recursos iranianos congelados fora do país, estimados em US$ 50 bilhões (cerca de R$ 257,8 bilhões), além do fim do bloqueio americano a portos iranianos. Autoridades americanas, incluindo Vance, afirmaram anteriormente que os ativos seriam liberados gradualmente, à medida que o Irã fosse cumprindo marcos estabelecidos no âmbito dos termos acordados. Até o momento, não há indícios de que recursos tenham sido liberados, mas a confirmação do tráfego de navios petroleiros ligados ao Irã aponta que o país deve ter algum alívio econômico em breve. Quanto ao tráfego em Ormuz, a movimentação ainda é lenta. Antes dos quatro navios identificados pela agência de dados marítimos Kpler, seis embarcações atravessaram o estreito na quarta, e 14 na terça, desde que as partes afirmaram que a trégua tinha sido alcançada. O número é muito inferior à média entre 130 e 140 navios que atravessavam a rota diariamente antes da guerra. Os dados indicam que as empresas de navegação ainda estão mantendo a cautela, apesar do acordo, segundo o gerente de risco marítimo da Kpler, Dimitris Ampatzidis. Em uma avaliação para o New York Times, Ampatzidis afirmou que os operadores "podem estar acompanhando de perto o anúncio do cessar-fogo, mas ainda não parecem estar mudando seu comportamento de forma significativa". Iranianos tomam banho de mar a vista de embarcações comerciais ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, em 8 de junho — Foto: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP Fogo-amigo Embora o presidente americano tenha anunciado o acordo com o Irã como uma conquista, aliados em Israel e dentro dos EUA criticaram o desfecho parcial obtido até o momento, afirmando que os termos ofereceram uma vitória estratégica a Teerã. Em declarações nesta quinta-feira, Trump classificou os críticos como "invejosos, pessoas más ou estúpidos". A retórica não tem sido suficiente para aplastar as críticas. Em um novo desafio a interesses dos EUA, o Exército de Israel voltou a afirmar nesta quinta-feira que não vai se retirar do sul do Líbano, e que sua ofensiva contra o Hezbollah é legítima. Trump incluiu o cessar-fogo entre as partes no acordo com o Irã, algo que autoridades israelenses rejeitaram publicamente. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu é recebido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca em abril de 2025 — Foto: Eric Lee/NYT A rede americana CNN noticiou nesta quinta que o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, pretende usar sua influência em Washington e o poderoso lobby israelense para influenciar o resultado final das negociações, e deixar evidente que não concorda com os termos do plano, considerados por ele um "desastre total". Entre os críticos mais ferrenhos nas fileiras republicanas está o ex-vice Mike Pence, que opinou que a situação era "muito mais grave do que um erro", afirmando que "concessões imediatas" como o fim das sanções, seriam "essencialmente uma tábua de salvação para o regime iraniano". Pence defendeu "manter a pressão" e o bloqueio. À sombra de Obama Mesmo enquanto os países ainda trocavam ataques em meio a negociações incipientes, Trump dizia que apenas um acordo amplamente vantajoso aos EUA seria aceito. Em repetidas oportunidades, o padrão de comparação foi o acordo nuclear com o Irã de 2015, fechado pelo presidente Barack Obama — o qual o republicano abandonou unilateralmente em 2019. Enquanto era pressionado sobre as concessões feitas ao Irã, na quarta-feira, como a previsão entre os termos de um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de 1,5 trilhão no câmbio atual) para ajudar a reconstruir e desenvolver a nação persa, Trump voltou a atacar Obama, a quem mencionou dezenas de vezes. — Ao contrário de Barack Hussein Obama, que enviou pacotes de dinheiro ao Irã, qualquer ajuda que eles receberem sob este acordo terá que ser baseada em mérito, e não virá de nós — disse Trump, em uma referência a um valor US$ 1,7 bilhão enviado pelo governo democrata a Teerã após a assinatura do último acordo. Observadores externos apontam que o acordo finalizado por Obama e o encaminhado por Trump são muito diferentes. Enquanto o ex-presidente criou um formato em que o regime iraniano assumia como compromisso manter seu programa nuclear para fins pacíficos, com China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e União Europeia subscrevendo os termos, o memorando de Trump ainda é amplo, vago e concebido como um arranjo provisório, oferecendo compensações financeiras antes mesmo do tema nuclear ser colocado sobre a mesa. (Com NYT e AFP)
Após assinatura de acordo entre EUA e Irã, nova negociação é preparada sob críticas e cautela com implementação
Expectativa é de que novas tratativas comecem a partir de sexta-feira, após cerimônia pela assinatura do termo inicial pelos presidentes dos dois países














