O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 14:29 PEC do Banco Central avança no Senado e intensifica debate sobre autonomia e gestão financeira Após três anos de tramitação, a PEC do Banco Central avança na CCJ do Senado, prometendo maior autonomia econômica e financeira à instituição. A proposta visa enfrentar os desafios do aumento de instituições financeiras e a redução de servidores. Uma emenda que classificava o BC como "autarquia federal de natureza especial" foi rejeitada, mantendo a discussão sobre sua autonomia administrativa no plenário. O debate também aborda a necessidade de mais contratações e melhor gestão para acompanhar a complexidade do sistema financeiro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A aprovação da PEC do Banco Central na CCJ do Senado, após uma longa tramitação, é uma ótima notícia. Esse assunto vem sendo discutido há muito tempo (o projeto foi apresentado em 2023), está amadurecido e o Banco Central precisa de mais autonomia porque os desafios cresceram nos últimos anos. Aumentou muito o número de instituições financeiras e diminuíram os quadros da instituição, quando deveria ter acontecido o contrário. O plenário deve analisar o assunto na próxima semana. O texto garante autonomia econômica e financeira ao Banco Central. Uma das últimas discussões era sobre qual seria a natureza do BC. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, apresentou uma emenda que classifica o BC como “autarquia federal de natureza especial”, mas ela foi rejeitada pelo relator Plínio Valério. Nessa classificação, o BC precisaria de autorização do Ministério da Gestão para a realização de concursos e contratações, o que, segundo o relator, deixaria o banco sem autonomia administrativa. Wagner argumentou ainda que o Tesouro segue obrigado a cobrir qualquer prejuízo do BC, mesmo com o órgão estando fora do Orçamento da União. E disse que essa foi uma demanda do ministro da Fazenda. O assunto ficou para ser discutido no plenário. Como autarquia federal de natureza especial, o BC fica sob supervisão do Conselho Monetário Nacional. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a instituição não quer fugir de nenhum órgão de controle. O que ele defende é uma capacidade gerencial e administrativa mais eficiente para conservar quadros competentes, contratar mais gente e reforçar a instituição em sua missão. Com a forte bancarização da população e o surgimento das fintechs e das instituições de pagamento, o número de empresas a serem fiscalizadas aumentou. Tudo isso está dentro da órbita do BC, que ficou com um número pequeno de funcionários e fiscalizadores para lidar com esse universo cada vez maior. Além disso, cabe à instituição estimular o aumento do número de instituições financeiras para ampliar a competição no mercado, o que também é positivo. A bancarização é muito importante, a inclusão financeira é parte do processo de inclusão. Mas o Banco Central tem que estar preparado para isso. O BC já tem autonomia para tomar suas decisões de política monetária e precisa de autonomia administrativa. No mundo, parte dos bancos centrais tem essa autonomia administrativa. Estamos no meio de um grande escândalo financeiro, de um banco que foi liquidado pelo BC. O assunto às vezes acaba entrando na disputa política. No caso do Master, a autoridade monetária suportou todo tipo de pressão. E nessa tramitação no Senado, muitos não queriam nem que a PEC fosse analisada porque o Banco Central liquidou o Banco Master e/ou não aprovou a compra do Master pelo BRB. E depois se viu que o Banco Central estava absolutamente certo. A instituição não pode ficar exposta a esse tipo de barganha.