Tema está previsto para ser votado amanhã na CCJ do Senado e relator diz que não vai alterar seu relatório a despeito das resistências do governo O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista à imprensa — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 13:17 PEC 65: Aumento da Autonomia do Banco Central em Debate no Senado Ataques dos EUA ao PIX e cortes no orçamento do Banco Central intensificam pressão pela PEC 65, que visa aumentar a autonomia do BC. A proposta, em votação amanhã na CCJ do Senado, enfrenta resistência do governo. O relator, senador Plínio Valério, defende a PEC, alegando que o corte de 18,8% no orçamento do BC compromete seu funcionamento, enquanto o governo negocia alterações no texto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os ataques feitos pelos Estados Unidos ao Pix ao anunciar uma tarifa de 25% para os produtos brasileiros e o corte de 18,8% no orçamento do Banco Central que o governo adotou na semana passada devem elevar a pressão dos defensores do aumento da autonomia para a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65, a despeito das resistências do governo. O tema está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, segundo o senador Plínio Valério (PSDB-AM), que relata a matéria, há um compromisso do presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), em colocar o texto em votação nessa quarta-feira. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que estava negociando com o BC um novo texto porque o governo não concordava com o relatório de Valério. A autoridade monetária não se manifestou, mas nos bastidores havia resistência a novas mudanças, especialmente à ideia de manter o status de “autarquia”, como defendido pela Fazenda. Até agora não houve avanço nas negociações e Valério reitera que não pretende mexer em seu parecer. — Eu não fui convencido a mudar, até porque o governo não quer essa PEC aprovada, não quer a autonomia do Banco Central, não quer o PIX livre — disse o senador, já dando o tom do discurso para essa quarta. Dado seu apelo popular, a inclusão do PIX no parecer foi uma estratégia combinada com o BC, que já via o risco dos americanos reforçarem seus ataques ao mecanismo de pagamento, especialmente porque outros países estão migrando para esse modelo. Além disso, a lógica política é deixar claro que, a partir de agora, problemas no seu funcionamento decorrentes de falta de pessoal ou investimentos por parte do BC serão tratados como responsabilidade de quem foi contra o fortalecimento financeiro da autoridade monetária. — A gente está ficando para trás, embora continue referência mundial. O gráfico de queda de servidores é alarmante. Eu fiquei horrorizado quando comecei a frequentar o Banco Central, por isso estou defendendo com unhas e dentes a necessidade da PEC. E o governo ainda está cortando orçamento, estão brincando com coisas seríssimas — salientou Valério. A redução de gastos do BC ocorreu no contexto de R$ 23,2 bilhões de bloqueio no orçamento. Apesar de não ter ficado entre os maiores cortes, a autoridade monetária, que perdeu R$ 92,4 milhões, teve uma redução porcentual de 18,8%, praticamente o dobro da média geral de redução.