Ideia não agrada o relator do texto, senado Plínio Valério (PSDB-AM), e nem ao presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo; cenário para avanço do tema segue nebuloso por conta da postura do Executivo O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista à imprensa — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 12:49 Proposta de Manutenção do BC como Autarquia Enfrenta Resistência no Senado O governo brasileiro propõe manter o Banco Central (BC) como autarquia com uso de receita própria, enfrentando resistência do relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), e do presidente do BC, Gabriel Galípolo. A PEC 65, que busca autonomia orçamentária para o BC, é vista como problemática pelo governo por aumentar a dívida pública. A proposta enfrenta atrasos e resistência política, complicando o avanço no Senado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Embora o governo siga resistindo à proposta de autonomia orçamentária e financeira do Banco Central (BC), há uma contraproposta na mesa que é manter o status da autoridade monetária como “autarquia”, mas permitindo o uso de receitas próprias para suas despesas. No mais recente relatório do senador Plínio Valério (PSDB-AM) à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65, foi mantida a ideia de o BC ser “entidade pública de natureza especial”, o que incomoda o governo porque, entre outros fatores, automaticamente tornaria a dívida pública mais alta entre 10 15 pontos percentuais. Isso ocorreria porque o BC passaria a ser enquadrado no setor público financeiro, fazendo com que a carteira de títulos públicos emitidos pelo Tesouro sejam contabilizados como dívida mesmo na parcela sem uso nas operações diárias para equilibrar a taxa de juros. Valério disse ao GLOBO que não pretende fazer mais mudanças em seu texto, que foi apresentado na semana passada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E afirmou ter recebido apoio do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Após a apresentação do parecer, foi concedida vista na CCJ, a pedido do governo, evitando a votação. Valério diz que como nessa semana o Senado está em regime semipresencial, o tema não deverá entrar na pauta. Na seguinte, o feriado de Corpus Christ também deve empurrar o tema para frente. O governo de forma geral é contra a PEC 65, por razões tanto técnicas (como a questão da dívida e do risco decorrente dos fluxos de recursos entre o Tesouro e o BC distorcerem a estatística, mesmo com a decisão de excluir das regras fiscais) e políticas (uma visão ideológica que já se posicionava contra até à autonomia concedida para a autoridade monetária com mandatos fixos ainda no governo Jair Bolsonaro). Um interlocutor diretamente envolvido na discussão classificou a proposta em tramitação de “aberração técnica e jurídica” e destacou que a questão da falta de recurso orçamentários para o BC pode ser resolvida de outras formas e que sequer haveria necessidade de mexer na Constituição. Na semana passada, antes da apresentação do relatório, o presidente do BC fez um novo apelo, em tom ainda mais forte, pela aprovação da PEC. Em uma audiência marcada pelas discussões sobre o caso Master, inclusive com uma troca de farpas com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros, Galípolo voltou a destacar a situação de carência de pessoal para fiscalizar o sistema financeiro e até para a operação do Pix – que o relatório de Valério garante como estrutura pública e sob a alçada do BC. Na ocasião, Galípolo reclamou que, a cada avanço que se tem na construção de um texto de consenso, se sucede um novo pedido de mudança, indicando que alguns setores no fundo não querem avançar no tema. E, de fato, o quadro é esse mesmo. Inclusive, na própria sessão, alguns senadores que não são automaticamente alinhados ao governo, como Alessandro Vieira, apontaram que a solução da falta de recursos pode ser equacionada de outra forma. As negociações continuam e até se notou um maior otimismo nos bastidores do BC após a postura ainda mais combativa de Galípolo na CAE. Mas a resistência do governo segue complicando e o calendário eleitoral torna ainda mais difícil o tema avançar.