Ministro da Fazenda e presidente do Banco Central conversaram sobre o tema nesta terça-feira Dario Durigan e Gabriel Galípolo — Foto: Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 20:13 Conflito entre BC e Fazenda sobre PEC de autonomia gera tensão econômica A divergência sobre a PEC que amplia a autonomia do Banco Central tem gerado atritos entre Gabriel Galípolo, presidente do BC, e o Ministério da Fazenda. Galípolo expressou surpresa com as preocupações fiscais do governo, enquanto o ministro Dario Durigan afirmou que o texto atual não foi acordado com a equipe econômica. A proposta, que altera o status jurídico do BC, pode elevar a dívida pública, intensificando o debate político e econômico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois do acirramento dos atritos entre a equipe econômica e o Banco Central por conta da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que dá autonomia orçamentária e financeira ao órgão, o governo tenta negociar um acordo com autoridade monetária em torno do tema. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, conversaram na manha desta terça-feira manhã e os técnicos estão em tratativas ao longo do dia para tentar construir um texto de consenso, não necessariamente na PEC. Apesar do incômodo com a fala de Galípolo sobre ter visto com “estranheza” notícias sobre uma preocupação da equipe econômica com os termos da PEC relatada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que gerou uma reação de Durigan ontem, o governo agora tenta esfriar a crise e buscar uma solução que contemple os dois lados. Ou seja, que melhore a situação do BC para reforçar seu quadro de pessoal e os investimentos no Pix sem causar impactos indesejados nas contas públicas, como uma alta da dívida por razões contábeis. Alguns interlocutores envolvidos nas discussões avaliam que, após a audiência pública de Galípolo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na semana passada, e a apresentação do relatório do senador Plínio Valério, criou-se um constrangimento para o governo e os parlamentares serem contra a PEC. Por essa leitura, a subida de tom de Galípolo na defesa da PEC, criou uma situação na qual qualquer problema no Pix ou no sistema financeiro por conta da baixa capacidade de o BC fiscalizar as instituições financeiras atualmente será jogado na conta de quem se posicionou contrariamente à PEC. Para tentar sair desse labirinto, o argumento do governo é que não precisa da PEC nos termos apresentados por Valério para reforçar a capacidade orçamentária e financeira da autoridade monetária. É essa a tentativa de solução que está em curso, mas que não há garantias de que irá adiante. Entre os funcionários do BC, segundo interlocutores, há uma preocupação de que um eventual acordo mantenha a instituição debaixo da alçada do ministério da Gestão e Inovação no que tange à gestão de pessoal.