O Banco Central tem sido o último bastião para impedir que o Brasil volte a ter inflação de dois dígitos. Os Três Poderes desmontaram instituições fiscais com medidas parafiscais, emendas, supersalários e judicialização de políticas públicas. Aceleram o gasto e pressionam a inflação.

A autonomia operacional conquistada em 2021 tem permitido ao Banco Central segurar essas pressões com decisões técnicas sobre os juros. Um antibiótico caro e que tem efeitos colaterais ruins. Mas sem ele estaríamos resvalando para a desorganização inflacionária.

A autonomia, contudo, está ameaçada pelo estrangulamento financeiro. O orçamento do BC em 2026 –excluindo os seus gastos com aposentadorias e pensões que, por natureza, não afetam a gestão do órgão– será quase 20% menor que o de 2018, em valores reais.

De 2018 para cá as atribuições do BC aumentaram, notadamente pela expansão de fintechs que precisam ser fiscalizadas e pelos investimentos requeridos pela gestão do Pix.

É inequívoca a necessidade de recomposição do orçamento do BC e a concessão de autonomia para propor seu orçamento, contratar pessoal e fixar salários.