A lei complementar 179, que estabelece a autonomia do Banco Central do Brasil, entrou em vigor em 25 de fevereiro de 2021. Essa lei encerra —provisoriamente?— uma longa discussão sobre a relação entre a autoridade monetária e o governo federal, tentando garantir que as decisões do BC sofram a menor interferência possível da "política" em assuntos (supostamente) "técnicos". O principal objetivo da instituição continua sendo o combate à inflação; outros objetivos são mencionados —subordinados, porém, a essa meta principal.
A visão de que a instituição deve ser independente das decisões políticas ganhou força nos anos 1980 e 1990, após os aumentos da inflação em quase todos os países capitalistas, que levaram ao fim da era keynesiana. A inflação era tipicamente interpretada como produto de políticas populistas do Estado que, sob pressões de diversos grupos, realizava gastos (ou reduzia impostos) em um montante que a economia não tinha condições de sustentar.A solução envolveria impedir esses desvios populistas ou demagógicos, tirando dos representantes políticos eleitos o controle da autoridade monetária. Esse encaminhamento traz implícita uma perspectiva curiosa: quando o governo responde aos anseios da maioria (o que se espera de uma democracia), ele incorre em pecados que devem ser censurados.















