Depois da autonomia concedida pela lei complementar 179/2021, o mercado e a classe política passaram a discutir a independência da autoridade monetária do Banco Central em sentido mais amplo, incluindo autonomia financeira, orçamentária e administrativa.

Como em 2021, o debate avançou, mas segue travado no Congresso por divergências sobre o melhor desenho institucional. A discussão, porém, não deve ser reduzida a uma disputa abstrata sobre poder: há razões concretas para ampliar a autonomia do BC.

Um dos principais ativos da instituição é o corpo técnico, hoje pressionado pela falta de recursos. Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a instituição perdeu mais de mil servidores em dez anos, enquanto outras cem baixas são esperadas para 2026. A redução do quadro está ligada à restrição orçamentária imposta à autoridade monetária.O problema é mais grave porque essa restrição ocorreu em meio à transformação do sistema financeiro. Embora a concentração bancária siga elevada, o número de instituições aumentou e a complexidade regulatória cresceu com Pix, open finance e novas intermediações. Tudo isso exige capital humano, tecnologia, supervisão e, claro, dinheiro.

A camisa de força orçamentária imposta ao BC remonta às tentativas de controlar o gasto público. A emenda constitucional 95, de 2016, contribuiu para esse quadro. Entre 2017 e 2020, o orçamento do BC encolheu cerca de 1,4% em termos reais.