Presidente do Tribunal de Contas do DF defende bloqueio de bens no Caso Master para ressarcir BRB‘O Estado é responsável também. Eu defendo salvar o banco e punir os culpados no limite das suas culpas’; diz Manoel de Andrade ao Estadão. Gerando resumoBRASÍLIA — O presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Manoel de Andrade, defendeu a adoção de uma medida cautelar da Corte para bloquear os bens dos responsáveis pelo caso Master e devolver o dinheiro aos cofres do Distrito Federal e do Banco de Brasília (BRB). PUBLICIDADEEm entrevista ao Estadão, o conselheiro afirmou que o BRB precisa ser salvo, mas que não basta fazer um aporte com recursos do DF. Segundo ele, é preciso punir os responsáveis — por práticas e por omissão — e pegar o dinheiro de volta para ressarcir o poder público. “Tem de fechar o cerco para não fugir ninguém. Quando eu defendo a ideia de bloqueio, é para ninguém fugir do ambiente”, disse o presidente. “Eu vou acabar com o banco e o que eu vou dizer para o contribuinte? Onde é que está a proteção do Estado? O Estado é responsável também. Eu defendo salvar o banco e punir os culpados no limite das suas culpas”, disse.‘Tem de fechar o cerco para não fugir ninguém, o Estado é responsável também’, diz Manoel de Andrade Foto: Wilton Junior/EstadãoA Polícia Federal investiga a compra de R$ 12 bilhões em créditos podres do Banco Master pelo BRB, além do pagamento de propina de R$ 146 milhões para o ex-presidente do banco estatal Paulo Henrique Costa. Como mostrou o Estadão, Paulo Henrique afirmou ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que os dois estavam “juntando” suas vidas", ao negociar o recebimento de imóveis de Vorcaro. PublicidadeO governo do Distrito Federal, controlador do BRB, precisa fazer um aporte na instituição para cobrir o prejuízo, calculado em R$ 8,8 bilhões. Para isso, ele busca um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e terá de pagar o financiamento, dinheiro que sai do orçamento do DF. Na terça-feira, 28, a União e o governo distrital começaram a negociar um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) para o DF pegar o empréstimo com aval de bancos públicos e privados, mas sem garantia do Tesouro Nacional. A União, nesse caso, flexibilizaria os limites de endividamento do DF. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a destinação de recursos bloqueados para o BRB. Tribunal pode adotar medida cautelar com base em portaria do TCUO tribunal pode adotar a medida cautelar com base em um pedido do Ministério Público, por decisão de ofício do presidente ou em deliberação com os demais conselheiros, segundo Manoel de Andrade.Ele cita uma portaria do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2024 que autoriza a Corte federal a determinar o bloqueio de bens de agentes públicos e privados quando houver indícios graves de dano ao erário ou desvio de dinheiro público. PublicidadeO presidente do tribunal do DF entende que pode buscar simetria com o TCU para propor a medida ou editar portaria própria para regulamentar o assunto internamente. Segundo o presidente, a conta não pode ficar para o contribuinte. Ele afirmou que o BRB não foi vítima, mas foi responsável pelas fraudes. “Responsável. Há uma comissão, um ato comissivo envolvendo interesses escusos. Você imagina que o ex-presidente do banco está sendo acusado de receber propina de R$ 150 milhões. Será que foi só isso? Tem mais agentes envolvidos?”Presidente do Tribunal de Contas do DF defende investigar Ibaneis no Caso Master‘Como é que o presidente do banco teve tanta liberdade?’, diz Manoel de Andrade ao Estadão. Conselheiro defende investigação sobre Ibaneis: ‘Como o presidente do banco teve tanta liberdade?’O presidente do tribunal afirmou ao Estadão que um dos alvos do bloqueio de bens pode ser o ex-presidente do BRB, mas há outros envolvidos que precisam ser descobertos. “O fato é que muitos recursos foram subtraídos na compra desses títulos podres. É preciso devolver o dinheiro da sociedade, o dinheiro dos investidores do banco e o próprio dinheiro do orçamento público”, afirmou.Segundo ele, é preciso fazer uma espécie de “blitz” para averiguar os responsáveis e reter o patrimônio de quem está sendo investigado. Ao falar do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado, principal avalista política da compra do Master pelo BRB, Manoel de Andrade defendeu uma investigação rigorosa.Publicidade“É uma grande interrogação. Por que não estar dentro também? É possível. Não estou acusando o ex-governador, mas é muito estranho ele não estar”, disse o presidente da Corte distrital. “Como é que o presidente do banco teve tanta liberdade para danificar o patrimônio do Distrito Federal? É o maior escândalo que eu conheço no Brasil. Tivemos aqui a Caixa de Pandora (escândalo que envolveu o ex-governador José Roberto Arruda em 2009), mas esse aqui se agigantou.”
Presidente do Tribunal de Contas do DF defende bloqueio de bens no caso Master para ressarcir BRB
‘Tem de fechar o cerco para não fugir ninguém, o Estado é responsável também’, diz Manoel de Andrade ao Estadão; Corte poderá adotar medida cautelar para garantir devolução de dinheiro aos cofres públicos













