Fux pediu que crise do BRB fosse solucionada 'o quanto antes' por impacto no JudiciárioDario Durigan diz que há 'interesse público vinculado à eventual quebra do banco' após prejuízos deixados pelo Master. Crédito: Imagens: Isabella Almada e Rafael Andrade/ Edição: Andressa BritoO acordo fechado entre o governo Lula, Banco de Brasília (BRB) e Supremo Tribunal Federal (STF) ainda enfrenta resistência dos maiores bancos do País, segundo pessoas ouvidas pelo Estadão. O desenho da operação é avaliado como inédito e, por isso, demanda mais tempo de análise - não só do ponto de vista econômico, mas também jurídico. PUBLICIDADEAlém disso, os valores envolvidos são elevados, de até R$ 6,5 bilhões, que seriam pagos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas tendo esses bancos como avalistas.O mais comum seria o FGC conceder o empréstimo ao governo do Distrito Federal (DF) tendo o Tesouro como avalista da operação. Mas o DF tem nota de classificação C em sua capacidade de pagamento (Capag) - o que impede formalmente que receba garantias da União em empréstimos. Além disso, o governo Lula não quer as suas digitais em nada que se relacione com o caso Master, e o ano eleitoral torna mais difícil uma aproximação com a governadora Celina Leão, que é próxima à família Bolsonaro.Ministro Luiz Fux recebe autoridades em audiência, entre eles o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre operação de crédito para apoio financeiro ao BRB Foto: Rosinei Coutinho/STFSegundo esses relatos, ainda que os bancos sejam apenas avalistas, eles teriam sim de fazer provisões de recursos para o risco de calote do governo do DF. Essa visão é contrária ao que foi dito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao Estadão. PublicidadeA lógica é bastante simples: se há exposição a um empréstimo tomado por um governo que tem baixa capacidade de pagamento, isso precisa estar refletido no balanço das instituições, como determinam as regras prudenciais.Esse troca de um “risco soberano”, que seria o Tesouro Nacional, pelo risco “GDF”, uma unidade da federação com baixa capacidade de pagamento, é o que mais vem deixando os grandes bancos com cautela. A decisão monocrática do ministro Luiz Fux, garantindo aos bancos credores as receitas a que o DF têm direito de receber do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), não é vista como certeza de que esse modelo dará certo.Leia maisDurigan: Fux pediu saída ao BRB ‘o quanto antes’ pois a autoridade do Judiciário estaria em questãoSocorro ao BRB saiu após aval de Lula, movimento de Celina, preocupação com depósitos e ‘fator Fux’Distrito Federal vai congelar reajustes, concursos e benefícios em troca de socorro ao BRBA oposição à governadora Celina já se manifestou contrária ao uso desses recursos como garantia, porque poderia significar, em um cenário mais extremo, o desvio de verbas que hoje são usadas para áreas sensíveis, como saúde e educação. Pelo desenho, em caso de calote do DF, os bancos teriam de ressarcir o FGC, para só depois terem acesso ao fluxo de recursos de pagamentos desses fundos.Durigan afirmou que Fux pediu uma solução rápida para o caso, porque “a autoridade” do poder Judiciário estava em questão, já que há cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no BRB. PublicidadeIsso pode influenciar na decisão desses bancos, além do fato de que eles teriam que injetar recursos no FGC, em caso de quebra do BRB - que teria desembolsos de cerca de R$ 13 bilhões para indenizar correntistas. O número já teria caído em relação aos R$ 17 bi anunciados anteriormente, porque o BRB vem diminuindo de tamanho a cada semana e honrando os seus compromissos. De um jeito ou de outro, a decisão não é simples e as análises e conversas continuam.
Opinião | Bancos mantêm cautela em operação com o BRB, e aval do STF não os dispensa de fazer provisões
Entidades entendem que risco DF é muito mais alto do que o risco soberano, que seria uma operação com aval do Tesouro













