Apenas do ponto de vista da conveniência eleitoral pode fazer sentido o esforço para capitalizar o Banco Regional de Brasília (BRB), após o rombo provocado pela compra de carteiras fraudulentas do Banco Master, e mantê-lo sob o controle do governo do Distrito Federal.

Em vez de aproveitar o aprendizado com o escândalo e romper com o modelo de captura política da instituição estatal, a escolha é novamente recorrer ao dinheiro público —no caso, dos contribuintes brasilienses— sem transformação da governança.

O acordo fechado entre o DF e o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), intermediado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, viabiliza um empréstimo de cerca de R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao banco regional.

A operação ao menos não envolve transferência de recursos da União nem garantia federal explícita. O empréstimo, ainda em negociação, contaria com fiança de um consórcio de bancos, além de garantias que somam cerca de R$ 2 bilhões anuais.

Como parte do acordo, o governo federal ampliou o limite de crédito do DF, até então sob o teto de cerca de R$ 900 milhões do Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal (PAF), e a nova dívida passa à regra de 16% da receita corrente líquida definida por resolução do Senado.