Fux pediu que crise do BRB fosse solucionada 'o quanto antes' por impacto no JudiciárioDario Durigan diz que há 'interesse público vinculado à eventual quebra do banco' após prejuízos deixados pelo Master. Crédito: Imagens: Isabella Almada e Rafael Andrade/ Edição: Andressa BritoO presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que o banco foi a maior vítima da fraude do Banco Master, com prejuízo de R$ 8,8 bilhões. Um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do FGC e a securitização da dívida do DF cobrirão as perdas. O plano, criticado por senadores, foi aprovado pelo STF. O ex-presidente do BRB foi preso por corrupção. O atraso na publicação do balanço de 2025 gera corrida de liquidez. O governo do DF busca aprovar um projeto para garantir o empréstimo.BRASÍLIA — O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira, 9, que a instituição foi a maior vítima da fraude do Banco Master e que um aporte de R$ 8,8 bilhões levará o BRB a ter um lucro superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028. O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira, 9, que a instituição foi a maior vítima da fraude do Banco Master e que um aporte de R$ 8,8 bilhões levará o BRB a ter um lucro superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028. Foto: Wilton Junior/EstadãoPUBLICIDADEO presidente do BRB citou que o valor do empréstimo é de R$ 6,6 bilhões. A quantia exata depende do limite de endividamento autorizado pelo Senado. O restante do recurso, ou seja, R$ 2,2 bilhões, virá com a securitização da dívida ativa do Distrito Federal, reforçou o presidente do BRB. Por lei, os recursos da operação não podem ir diretamente para o aporte. A administração estatal optou por fazer uma operação contábil e diz estar dentro da lei.PublicidadeO governo distrital ainda está negociando os termos do empréstimo com o FGC e com os bancos. Na semana passada, integrantes da administração disseram a deputados distritais que o empréstimo seria contratado com juro real de 4,5% ao ano. As condições, porém, estão sendo discutidas e ainda não há assinatura. Segundo o presidente do BRB, o empréstimo será feito com 18 meses de carência para começar a ser pago.Leia tambémAgência rebaixa avaliação do BRB mais uma vez e cita problemas com Master na justificativaTribunal de Contas do DF cobra publicação de balanço do BRB para julgar contas de IbaneisGoverno do DF fala em juro real de 4,5% ao ano e ressarcimento pelo BRB para conseguir empréstimoEm troca do socorro, o governo do Distrito Federal ofereceu as transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em caso de calote. Além disso, se comprometeu a congelar reajustes salariais, concursos públicos, despesas obrigatórias e incentivos fiscais até quitar o empréstimo ou até arrumar o orçamento e conseguir nota “A+” do Tesouro Nacional — hoje a nota é “C”. Nesta terça-feira, 9, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), quer votar um projeto de lei na Câmara Legislativa autorizando a gestão a contrair o empréstimo. A proposta abre uma margem para, além do FPE e do FPM, oferecer outros recursos como garantia, sem especificar quais. A aprovação do projeto foi uma exigência dos bancos que participam da discussão, segundo integrantes do Distrito Federal. “Essa operação é inédita no País, nunca houve, ainda mais com a chancela do poder máximo do Judiciário brasileiro, que é o STF”, afirmou o dirigente. “É uma engenharia financeira jamais vista nesse País.” Segundo ele, o banco está pronto para receber o aporte. “O processo ainda depende de etapas técnicas e regulatórias, mas o banco promoveu os ajustes necessários em consonância com o regulador, o Bacen (Banco Central), para que o recurso possa produzir efeitos graduais sobre seu capital regulatório.”PublicidadeO plano foi criticado por senadores. “Eu não entendo como é que o Supremo Tribunal Federal aprova um plano sem que o BRB publique o balanço de 2025. Como se faz um plano? Um plano nas nuvens. E como homologar uma coisa dessas?”, afirmou o presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador afirmou que a proposta apresentada pelo Distrito Federal e pelo banco é “sem premissa, sem base”. “Não parece ser um plano sério”, disse. Pessoas ligadas ao Master chegaram a ser donas de 23,5% do BRB, diz presidenteDurante a audiência, o presidente do BRB afirmou que os negócios entre o Banco de Brasília e o Master totalizaram R$ 30 bilhões entre 2024 e 2025, entre compras e vendas de carteiras. Desse valor, R$ 21,9 bilhões ficaram no BRB como ativos. A Polícia Federal detectou que o banco comprou R$ 12 bilhões em carteiras podres do Master. O rombo final, que é a perda calculada com a operações, foi calculado em R$ 8,8 bilhões, segundo Souza. Pessoas ligadas ao Banco Master acabaram sendo donas de 23,5% do BRB, disse o presidente. Os recursos foram bloqueados e o banco busca o ressarcimento desses valores. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso acusado de receber R$ 146 milhões em propina de Daniel Vorcaro, dono do Master, por meio de imóveis. O atual presidente do Banco de Brasília disse que a instituição vai entrar na Justiça cobrando a responsabilização dos administradores que participaram das fraudes com o Master. Presidente do BRB diz que há ‘corrida’ de liquidez diante de atraso na publicação de balançoPUBLICIDADEO presidente do BRB afirmou que há uma “corrida” de liquidez cada vez maior diante do atraso na publicação do balanço de 2025, que mostrará o tamanho do prejuízo sofrido com as fraudes praticadas com o Banco Master. Segundo ele, o Banco de Brasília foi o banco “mais fraudado” no escândalo do Master.O balanço deveria ser divulgado até 31 de março. Com mais de dois meses de atraso, Souza afirmou que as demonstrações serão publicadas após a conclusão de procedimentos contábeis relacionados à auditoria feita na instituição. Ele não citou um prazo para a divulgação. “Estejam certos: a quem mais interessa divulgar o balanço é ao próprio BRB, tendo em vista a corrida de liquidez que cada vez se acentua em virtude da não divulgação desse balanço”, disse Souza durante a audiência.