A Polícia Federal suspeita que ao menos 750 mil reais tenham sido desviados de um circuito abastecido por emendas parlamentares e posteriormente destinados à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O valor foi transferido à Go Up Entertainment pela NTT Brasil, empresa que, segundo a investigação, integra o mesmo grupo empresarial de duas companhias que receberam recursos públicos de uma entidade beneficiada por emendas do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A suspeita consta de relatório apresentado ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e que baseia a Operação Make Up, deflagrada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União nesta quinta-feira 10. Dino também mandou apreender o passaporte de Frias, produtor-executivo de Dark Horse, e proibiu o deputado de manter contato com outros investigados.

Os recursos que bancaram a produção entraram na mira da PF após o Intercept Brasil revelar que Daniel Vorcaro, do Banco Master, repassou mais de 60 milhões de reais para supostamente financiar o longa. Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que todos os recursos empregados no filme seriam privados. A apuração da PF, porém, levantou a possibilidade de que dinheiro de emendas parlamentares tenha chegado indiretamente à produção.