No relatório, investigadores destacam a natureza das despesas custeadas pela produtora no período do repasse do dinheiro. Apontam suspeitas de que verbas de emendas parlamentares podem ter sido usadas para custear hospedagem em hotel de alto padrão, refeições e pagamentos a outras produtoras ligadas ao filme (entenda mais abaixo). Entre as organizações alvos de mandados estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), ambos presididos por Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção da cinebiografia Dark Horse. Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados 🎥 O filme "Dark Horse" (termo em inglês para "azarão") passou a ser alvo de investigações após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Ele está preso em Brasília. Movimentações financeiras A PF analisou as movimentações financeiras da produtora e identificou que a Go Up Entertainment, responsável pelo filme, movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, segundo a investigação. Nesse período, a empresa recebeu valores de diferentes remetentes, entre eles o próprio deputado federal Mario Frias. Segundo a PF, o filme foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. O período coincide, em parte, com as movimentações financeiras analisadas pelos investigadores, realizadas entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. "Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras", diz o relatório da PF. A movimentação financeira também chamou a atenção dos investigadores porque, no mesmo período, uma empresa identificada como NTT Brasil, de Heric Dias, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. O valor é próximo dos R$ 700 mil recebidos pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, empresas do mesmo grupo empresarial, por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que receberam recursos de emendas parlamentares. Com isso, a PF aponta indícios de que recursos originalmente destinados a contratos executados pelo ICB tenham sido repassados, por meio de contratações com indícios de fraude, a empresas ligadas ao grupo de Heric Dias. Posteriormente, segundo os investigadores, parte desses valores pode ter chegado à Go Up Entertainment por meio de uma transferência feita pela NTT Brasil. Pagamentos feitos por Mario Frias Outro ponto destacado pela investigação é uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio deputado Mario Frias para a Go Up Entertainment. No entanto, a PF aponta que os rendimentos mensais do parlamentar são de R$ 44.008,52. "Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias". Ou seja, a PF questiona se o deputado teria recursos suficientes para justificar as transferências feitas para empresas ligadas a Karina Gama em um período de menos de 60 dias.
PF aponta coincidência entre gastos durante gravações de filme 'Dark Horse' e envio de emendas para produtora | G1
PF suspeita que recursos de emendas parlamentares tenham bancado gastos com hotel de luxo e refeições durante a produção do filme Dark Horse.












