Empresas ligadas à Karina Ferreira da Gama estariam sendo usadas para dificultar a rastreabilidade de recursos públicos ou sendo desviados para usos privados 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro — Foto: Divulgação A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para apurar possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares destinadas a instituições ligadas à produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. A apuração teve o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que encaminhou o caso aos investigadores em maio. O inquérito teve início com o envio de uma petição pela deputada Tabata Amaral (PSB)-SP) a Dino apontando a necessidade de verificar se empresas ligadas à Karina Ferreira da Gama estariam sendo usadas para dificultar a rastreabilidade de recursos públicos ou sendo desviados para usos privados. O caso está sob sigilo. Karina Gama é sócia da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”. Ela também consta como responsável pelas empresas Instituto Conhecer Brasil, Academia Nacional de Cultura e Conhecer Brasil Assessoria. Segundo a deputada, a Academia Nacional de Cultura recebeu R$ 2,6 milhões em emendas Pix de deputados do PL, como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon (MS), além de mais de R$ 200 mil em emendas do deputado estadual Gil Diniz (SP). Além disso, Tabata afirmou a Dino que reportagens jornalísticas demonstraram que o Instituto Conhecer Brasil celebrou contratos de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi na cidade, que não foram concluídos. A empresa também teria recebido R$ 2 milhões em emendas Pix do deputado Mario Frias (PL-SP). O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. O parlamentar também é produtor do filme “Dark Horse”. Em outra frente, a empresa Conhecer Brasil Assessoria, Produção e Marketing Cultural, do mesmo grupo, prestou serviços a campanhas eleitorais de Frias e Felipe Carmona, que trabalhou com Frias na Secretaria Nacional de Cultura durante o governo Bolsonaro e foi candidato a deputado estadual em 2022. Para a deputada, a convergência de interesses entre os deputados e as diferentes empresas demanda uma análise cautelosa, uma vez que “esta simbiose institucional carece de maior transparência quanto à segregação de seus recursos”. Antes da abertura do inquérito, Dino pediu a manifestação da Câmara dos Deputados sobre os recursos, bem como de Frias. A Casa respondeu que não encontrou irregularidades nas emendas enviadas por Frias, mas que os recursos ainda estão em fase de prestação de contas, momento em que as entidades destinatárias devem demonstrar a adequada aplicação dos recursos. Já Frias negou que as emendas que destinou ao Instituto Conhecer Brasil tenham sido usados para a produção de “Dark Horse”.