As investigações devem ser sobre: os repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ);a eventual destinação de parte desse recurso para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos;e a indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme. A PF estava aguardando o Supremo Tribunal Federal (STF) definir qual ministro será o relator do inquérito sobre os repasses que Vorcaro fez a pedido de Flávio. Documentos mostram o elo entre PCC e produtora do filme 'Dark Horse' O valor de R$ 61 milhões foi divulgado em maio pelo site The Intercept Brasil, que obteve trocas de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro. A PF quer confirmar a quantia. O dinheiro chegou a um fundo responsável pelo financiamento do filme "Dark Horse", nos EUA, por meio de uma empresa que já era suspeita de integrar o ecossistema de fraudes do Master, a Entre Investimentos e Participações. Um dos objetivos da PF será saber se o dinheiro foi repassado em troca de algum favor prestado pelo senador ou por seu grupo político. O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse' — Foto: Reprodução Mendonça será relator A dúvida sobre a relatoria surgiu porque o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu que a apuração sobre o repasse milionário fosse conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes. Agora, com a definição de que Mendonça será o relator, a expectativa na PF é que os inquéritos sobre os repasses de Vorcaro e o destino desse dinheiro sejam instaurados nos próximos dias. A apuração sobre o eventual emprego dessa verba para bancar Eduardo é considerada mais complexa porque dependerá de cooperação com as autoridades americanas para, por exemplo, quebrar o sigilo dos envolvidos nos EUA. Eduardo Bolsonaro vive nos EUA desde 2025 — Foto: Getty Images Emendas Já a terceira frente de investigação, sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme "Dark Horse", terá como relator no STF o ministro Flávio Dino. Desde 15 de maio, Dino já realiza uma apuração preliminar — fase anterior ao inquérito — sobre essas emendas. De acordo com policiais ouvidos pelo g1, o caso deve evoluir para um inquérito. A suspeita é que políticos do PL, como os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli e os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) tenham destinado emendas a entidades da empresária Karina da Gama para financiar indiretamente o filme. O deputado Mario Frias (PL-SP), envolvido diretamente na produção da cinebiografia, também fez contratos com empresas pertencentes a Karina usando verbas da Câmara. A empresária é responsável pela empresa produtora de "Dark Horse", a Go Up, e também é dona de entidades que receberam recursos públicos, como a Academia Nacional de Cultura (ANC) — que ganhou R$ 2,6 milhões em "emendas PIX" dos parlamentares do PL. Todos os parlamentares negam irregularidades.