Informação consta na decisão do ministro do STF Flávio Dino, que expediu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 PF faz operação para investigar suposto desvio de emendas para filme 'Dark Horse' Produtora Karina Gama e deputado Mario Frias (PL) são alvos da ação. Na foto, policiais no endereço do Deputado Mario Frias, em Brasília — Foto: Reprodução / TV Globo A Polícia Federal apontou uma conexão financeira entre a produtora do filme 'Dark Horse', cinebiografia de Jair Bolsonaro, e empresas que receberam recursos públicos de emendas parlamentares. A informação consta na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que deflagrou uma operação nesta quinta-feira para aprofundar as investigações sobre o financiamento do longa. Os investigadores apontam que ocorreu uma espécie de triangulação envolvendo um grupo empresarial que remeteu dinheiro à produtora Go Up Entertaiment, responsável pelo filme, enquanto recebia valores do Instituto Conhecer Brasil (ICB) em um convênio público. Tanto a Go Up como o ICB tem a mesma dona - Karina Ferreira Gama. Segundo as investigações, a Go Up recebeu R$ 750 mil da empresa NTT Brasil LTDA, que faria parte do mesmo grupo empresarial da Dinâmica Editora e do Instituto Super Poder Educacional. Estas duas empresas ganharam R$ 700 mil de um contrato assinado com o ICB. O convênio em questão foi firmado entre Karina e o Ministério da Ciência e Tecnologia e se destinava a "capacitar adultos e adolescentes" com metodologia de "letramento digital e empreendedorismo". O projeto recebeu uma emenda de R$ 1 milhão indicada pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que já contratou os serviços de Karina para a sua campanha eleitoral de 2022 e assina como produtor executivo do Dark Horse. Tanto Karina como Mário Frias foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF nesta quinta-feira. As ações foram expedidas pelo Dino. A suposta triangulação financeira entre as empresas ligadas a Karina e as subcontratadas chamou a atenção da PF. "Tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil (...) enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente veio a ter tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado", diz trecho da decisão de Flávio Dino. A PF ainda indica como ponto de atenção um envio de R$ 645 mil das contas de Frias para a produtora do filme. Os investigadores chamaram a atenção para o fato do deputado receber R$ 44 mil de salário mensal da Câmara. A decisão de Dino ainda cita o rastreio de movimentações "atípicas" por parte da produtora - R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de novembro de 2025. Os investigadores destacaram que esse fluxo de dinheiro "coincidiu" com a época em que o filme foi gravado entre outubro e dezembro de 2025. "Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras", diz trecho do despacho de Dino. A decisão faz parte de uma operação da Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU) que investigam o repasse de emendas parlamentares a entidades ligadas a Karina Gama. Segundo nota da PF, as investigações apontam a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar recursos públicos para empresas subcontratadas de forma irregular, "sem comprovação efetiva dos serviços prestados". O suposto esquema funcionado até julho deste ano. Os investigadores apuram os supostos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
PF vê conexão financeira entre grupo que recebeu dinheiro de emenda parlamentar e produtora de Dark Horse, aponta PF
Informação consta na decisão do ministro do STF Flávio Dino, que expediu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira












