PF narra uma série de irregularidades nos projetos para os quais as emendas de Frias foram destinadas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Polícia Federal (PF) identificou uma possível conexão direta entre os recursos relacionados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP), e a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A conexão foi narrada na representação da PF que embasou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, realizada nesta quinta-feira e que teve Frias e a dona da produtora do filme, Karina Ferreira Gama, entre os alvos. Em 2024, Frias repassou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o ICB, que tem como sócia Karina Gama. As emendas foram destinadas a financiar dois projetos diferentes vinculados ao Ministério dos Esportes e o Ministério da Ciência e Tecnologia. De acordo com a PF, o ICB destinou cerca de R$ 700 mil a empresas do grupo empresarial de Heric Dias, NTT Brasil. Na análise financeira dos dados, os investigadores encontraram que as empresas desse grupo enviaram R$ 750 mil para a Go Up. Para os investigadores, ainda que a coincidência não permita afirmar que os recursos transferidos pela NTT Brasil tenham origem direta nos valores recebidos do ICB, o achado é relevante sobretudo porque os projetos financiados pelas emendas de Frias ainda não apresentavam execução substancial na época das movimentações, o que levanta a hipótese de que os recursos ainda não tinham sido utilizados. A PF também pontuou que a Go Up movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, mesmo período em que recebeu os recursos de empresas da NTT Brasil, sendo que parte das filmagens de Dark Horse também ocorreu nesse período. Ao analisar as despesas da produtora de "Dark Horse", a PF identificou pagamentos realizados a empresas dos setores de hotelaria, alimentação e eventos e levantou a possibilidade de que "os recursos originalmente associados a contratos executados pelo ICB, repassados, mediante contratações com indícios de fraude, a empresas vinculadas ao grupo de Heric Dias, posteriormente tenham sido direcionados, mediante pagamento feito pela NTT Brasil, para a Go Up Entertainment”. A PF ainda narra uma série de irregularidades nos projetos para os quais as emendas de Frias foram destinadas e que foram recebidos pelo ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC), também de Karina Gama, como fragilidades nos planos de trabalho, insuficiência na comprovação da capacidade técnica e operacional das instituições, irregularidades nos quadros societários, ausência de registros confiáveis sobre o fornecimento de produtos ou prestação de serviços, entre outros. "As movimentações narradas apresentam fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC, com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro", escreveu a PF. Ainda identificaram um direcionamento de recursos recebidos pelo ICB para bancas de advogados envolvidos com o deputado. Deputado Mario Frias (PL-SP) — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados