Agentes investigam desvios de emendas por meio de ONGs ligadas ao filme 'Dark Horse'; repasses teriam perdurado até julho deste ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro — Foto: Divulgação A Polícia Federal (PF) cumpre nesta quinta-feira (10) buscas em endereço do deputado federal Mario Frias (PL-SP) no âmbito da Operação Make Up, que investiga desvios de emendas parlamentares por meio de ONGs ligadas à produção do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os repasses, segundo as investigações, teriam perdurado até julho deste ano. Além do deputado Mario Frias, a produtora de "Dark Horse", Karina Gama, e outras 20 pessoas são alvos. A operação não tem mandados de prisão, apenas de busca e apreensão. O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Valor apurou que não há buscas no Congresso Segundo informações da PF, ao todo estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. As investigações, conforme a PF, apontam a existência de uma organização criminosa, "formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados". Foi identificada "movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado". Estão sendo investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. O Valor procurou o deputado, assim como a defesa de Karina e das ONGs, mas ainda não recebeu resposta. 'Dark Horse' O filme "Dark Horse" tem causado desgaste na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República. O site Intercept Brasil revelou, no mês de maio, mensagens e um áudio em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme. Vorcaro teria pago, pelo menos, R$ 61 milhões por meio de um fundo sediado no Texas (EUA). Esse fundo é administrato por Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. Existem, no STF, diferentes investigações sobre o caso. Flávio Dino está à frente das investigações que deram origem à operação desta manhã. Trata sobre o suposto uso de dinheiro público, por meio de emendas parlamentares, no filme. Outro inquérito está sob a relatoria do ministro André Mendonça e investiga os repasses que foram feitos por Daniel Vorcaro. O ministro homologou ontem um acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, que utilizou suas empresas para intermediar repasses de recursos de Vorcaro para o fundo no Texas. O acordo de delação foi fechado com a Porcuradoria-Geral da República (PGR). A partir de agora, com a homologação, os investigadores poderão tomar os depoimentos do empresário e utilizar as provas por ele apresentadas. — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil