Agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Flávio Dino 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ator Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse' — Foto: Reprodução A Polícia Federal faz uma operação nesta quinta-feira para investigar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira o suposto desvio de emendas parlamentares para a realização da obra. Os agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da produtora Go Up, responsável pelo filme, estão entre os alvos. Frias destinou R$ 2 milhões em emendas em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. Os valores foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. A operação é feita em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), e os mandados são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A PF afirma que o inquérito aponta a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar as verbas recebidas para empresas subcontratadas de forma irregular, "sem comprovação efetiva dos serviços prestados". O suposto esquema teria ficado em vigor até julho deste ano. A Polícia Federal apura os supostos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. "Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado", escreveu a PF em nota. Entenda as investigações sobre Dark Horse Há no STF duas apurações distintas sobre o financiamento ao filme. A operação desta quinta tem relação com emendas parlamentares e está sob a relatoria de Dino. Este inquérito foi aberto após parlamentares relatarem ao ministro que deputados aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro destinaram, ao todo, R$ 2,6 milhões em emendas Pix em 2024 a uma ONG presidida pela sócia da produtora que fez o filme. São investigados, entre outros, repasses indicados por Mário Frias, que nega irregularidades. Assim, a investigação apura o possível desvio de recursos públicos para empresas ligadas à produção do filme. Dino autorizou que a PF tenha acesso a dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo, que já conduzia uma investigação sobre o tema e fez uma operação mirando a produtora. Um dos principais alvos da operação de hoje, Karina não tem nenhuma experiência em produzir longa metragens, mas é dona de entidades que recebiam emendas de vereadores e deputados para fazer eventos e projetos de literatura evangélica. O maior contrato público fechado por Karina se deu entre a sua ONG Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura de São Paulo comandada por Ricardo Nunes (MDB), de R$ 108 milhões que saltou com aditivos para R$ 157 milhões. A contratação previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas pobres da capital. A Polícia Civil de São Paulo desconfiou de irregularidades e abriu uma investigação para apurar suspeitas de fraude na licitação e execução do contrato. Em junho, os policiais civis já haviam cumprido mandados de busca em endereços da produtora, da ICB e em duas casas atribuídas a Karina. Esse material foi compartilhado com a Polícia Federal após decisão de Flávio Dino. Outra investigação, cujo relator é o ministro André Mendonça, é um desdobramento do caso Master e começou após a revelação de conversas em que Flávio cobra repasses do baqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Mensagens mostraram que o presidenciável do PL pediu R$ 130 milhões a Vorcaro para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. Foi, então, aberta uma investigação para apurar se o dinheiro do banco Master, envolvido em fraudes milionárias, teria sido encaminhado para a produtora do filme, via um fundo sediado nos Estados Unidos. O inquérito também se debruça sobre a natureza da relação entre o banqueiro e Flávio. Há ainda a suspeita de que as verbas tenham bancado gastos no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos. Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark Horse”. Como mostrou a coluna Malu Gaspar, 'Mineiro' confirmou à PGR ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido de Vorcaro.
Dark Horse: PF faz operação para investigar financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro e mira em Mário Frias e produtora
Agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Flávio Dino











