0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jorge Messias passa por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado Federal — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Um dos relatórios apócrifos da Polícia Federal usados por Alexandre de Moraes para reagir ao pedido de investigação feito contra ele por André Mendonça recomenda “monitoramento e coleta dirigida” do próprio ministro e de sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. A sugestão aparece ao final de uma análise intitulada “postura da Advocacia-Geral da União e o quadro de risco associado” , que traça um cenário dos riscos para a Polícia Federal da relação entre Messias e Mendonça. Embora já inicie dizendo que esse tópico de análise é o de “menor lastro documental” de todo o relatório e o “único de natureza prospectiva” e que não autoriza “afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa”, o analista que o escreveu conclui dizendo que “autoriza monitoramento e coleta dirigida”. Não se sabe, pela leitura, se a PF seguiu a sugestão e fez de fato algum tipo de monitoramento dos dois ministros, o do STF e o do governo Lula. A doutrina da própria corporação proíbe o uso de relatórios de inteligência em inquéritos, como foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes ao incluir os documentos no inquérito das fake news para acusar Mendonça de direcionamento político e abuso de poder nas investigações do Master e do INSS. Contudo, esse tipo de relatório é comumente usado para guiar a estratégia dos investigadores para os inquéritos em curso. Messias foi arrastado para o epicentro da crise que opôs Mendonça de um lado, e de outro, a aliança entre Moraes e a PF. Antes da guerra fratricida no STF chegar ao atual patamar de tensão, o chefe da AGU tentou uma “diplomacia institucional”, ao invés de acionar o Supremo para contestar as decisões de Mendonça, como pressionava a Polícia Federal nos bastidores. Para Messias, um eventual ofício da AGU encampando as críticas da PF contra Mendonça reforçaria oficialmente as insinuações de que o relator está interferindo nas apurações em curso e poderia ser um tiro no pé, por fornecer munição para os alvos das investigações tentarem cavar alguma nulidade e derrubar as provas coletadas até aqui. Ainda assim, o relatório faz várias avaliações sobre a postura de Messias e avança para uma elucubração sobre até que ponto a derrota de sua indicação para o Supremo Tribunal Federal no plenário do Senado poderia ter levado a um “provável” direcionamento da investigação sobre Davi Alcolumbre. Em abril deste ano, Moraes se uniu a Alcolumbre e à tropa de choque bolsonarista, capitaneada pelos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), cada com a sua própria agenda, para impor uma derrota histórica ao governo Lula e barrar a indicação de Messias com o objetivo de impedir o fortalecimento de Mendonça no plenário do STF.
Relatório apócrifo usado por Moraes recomenda 'monitoramento e coleta dirigida' sobre Messias e Mendonça
Relatório apócrifo usado por Moraes recomenda 'monitoramento e coleta dirigida' sobre Messias e Mendonça














