Ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das "fake news", pediu que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (4) que o pedido de investigação do ministro André Mendonça, feito pelo ministro Alexandre de Moraes, seja retirado do inquérito das “fake news”, relatado por Moraes, e passe a tramitar em um processo que está sob responsabilidade da Presidência da Corte. Fachin deu cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de investigação e, sucessivamente, mais cinco dias para Mendonça se manifestar. No despacho, o presidente do Supremo afirmou que as providências não se destinam a analisar o pedido, mas apenas em relação ao procedimento. Ontem, Moraes pediu que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Ele também acusa o colega de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos nas investigações que tratam de um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do escândalo do Banco Master. A solicitação, encaminhada ao presidente do STF, foi feita dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que citava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um contato atribuído a Moraes. Nelas, Vorcaro buscava interferir e obter informações sobre as apurações que o levaram a ser preso em novembro do ano passado. O ex-banqueiro também pedia que Moraes intercedesse junto à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O episódio abriu uma crise sem precedentes no Supremo, agora intensificada pelo pedido para Mendonça ser investigado. Moraes afirmou que houve, por parte de Mendonça, uma "usurpação" da direção das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Segundo o ministro, o colega também teria atuado de forma irregular em tentativas de colaboração premiada, além de ter direcionado alvos para que fossem investigados por motivos pessoais e políticos. Moraes se valeu do inquérito das fake news, relatado por ele desde 2019, para pedir que Mendonça seja investigado. O ministro narra na decisão que determinou, na terça-feira (1), que o diretor-geral da Polícia Federal (PF) enviasse a ele relatórios de inteligência produzidos pela corporação "envolvendo eventuais atos criminosos tendentes a direcionar a produção de provas para falsa imputação de crime em relação à ministros do STF, com citação expressa dos nomes dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Nunes Marques, além do Procurador Geral da República e do Diretor Geral da Polícia Federal". Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo