Documento analisa relação de Jorge Messias com o relator do caso Master e traça quatro hipóteses para comportamento do chefe da AGU na guerra entre a PF e o ministro do STF 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve sua indicação para o STF rejeitada pelo Senado na última quarta-feira (29) — Foto: Brenno Carvalho/O Globo O relatório apócrifo da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes contra André Mendonça também mira um ministro do governo Lula: o advogado-geral da União, Jorge Messias. O documento analisa a "relação entre o advogado-geral da União e o relator" do caso Master e traça até mesmo quatro hipóteses para justificar a cautelosa postura de Messias em meio à guerra deflagrada entre a PF e Mendonça. Mendonça foi um dos principais cabos eleitorais da indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou barrada pelo Senado Federal em abril deste ano, numa articulação que impôs uma derrota histórica ao governo Lula e uniu nos bastidores o próprio Moraes, a tropa de choque bolsonarista no Congresso e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). No papel de “bombeiro” da crise instalada entre a Polícia Federal e Mendonça, Messias buscou o caminho da cautela na negociação de um armistício nos bastidores, conforme informou o blog. Antes da escalada da crise sem precedentes no Supremo, o chefe da AGU tentou apostar as fichas numa “diplomacia institucional”, ao invés de acionar o Supremo para contestar as decisões de Mendonça, como queria a PF. Um dos pontos do relatório de 50 páginas usado por Moraes para fundamentar a decisão contra Mendonça está justamente a postura da AGU de não encampar a ofensiva da PF contra o relator do Banco Master. A PF chega até a se debruçar sobre a relação pessoal entre Messias e Mendonça. O documento traça quatro hipóteses para a cautela de Messias: 1) preservação de relação política do relator; 2) convicção jurídica quanto ao não cabimento; 3) cautela quanto ao custo de litigar com ministro do STF; 4) a avaliação de "oportunidade política do Executivo". As duas últimas hipóteses são classificadas pela própria PF como "plausíveis", mas o documento aponta que a primeira (a preservação da "relação política de Messias" com o relator) é a "que melhor explica a recusa" de atuação da AGU. O relatório da PF pontua três elementos para contextualizar a relação entre Messias e Mendonça: as manifestações públicas de Mendonça à indicação de Jorge Messias para o STF; a rejeição da indicação do chefe da AGU para a vaga na Corte; e até mesmo a "matriz religiosa comum", já que ambos são evangélicos. Mendonça é relator das investigações de dois esquemas bilionários que apavoram a classe política nestas eleições: o desvio de aposentadorias do INSS e as fraudes no Banco Master, que já fecharam o cerco contra parlamentares dos mais variados espectros ideológicos, do campo bolsonarista ao lulista – incluindo o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Nulidades A postura de Messias seguiu a avaliação de uma ala do governo Lula segundo a qual um eventual ofício da AGU encampando as críticas da PF a Mendonça reforçaria oficialmente as insinuações de que o relator está interferindo nas apurações em curso e poderia ser um tiro no pé, por fornecer munição para os alvos das investigações tentarem cavar alguma nulidade e derrubar as provas coletadas até aqui, tanto no caso INSS quanto no Master. A interlocutores, Messias costumava dizer que “não dá para sermos usados por bandidos”. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem protestado contra decisões de Mendonça, como a determinação do envio ao magistrado do material bruto das investigações do caso INSS. Mendonça ainda determinou que fosse avisado previamente sobre qualquer alteração na equipe de policiais que o assessora nos trabalhos do STF, o que foi interpretado pela PF como uma ingerência administrativa. Procurado pelo blog, Messias não se manifestou.