Decisão do governo Lula (PT) veio em reação à taxa de 25% sobre exportações brasileiras anunciada pelo governo Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tereza Cristina: 'Você começa com ela e depois você vai escalando até chegar nas medidas mais radicais' — Foto: Ana Paula Paiva/Valor Uma das principais articuladoras da aprovação da Lei da Reciprocidade pelo Congresso, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) acha "precipitado" o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciar o processo de análise para a adoção de reciprocidade contra os Estados Unidos (EUA) e avalia que isso pode dificultar o diálogo entre os países. A decisão veio a público na quinta-feira (13) em reação à taxa de 25% sobre exportações brasileiras anunciada pelo governo Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. "Na minha opinião, eu acho precipitado, a não ser que a gente desconheça detalhes do que está acontecendo. É uma medida que você começa com ela e depois você vai escalando até chegar nas medidas mais radicais. Acho que o governo deveria ter sentado à mesa e aberto o diálogo novamente, porque, com essa medida, eu acho que dificulta sentar à mesa", declarou Tereza ao Valor, nesta sexta-feira (14). "Também dificulta uma série de coisas que poderiam ser amenizadas se o Brasil fosse [aos EUA] com uma proposta". Na visão de Tereza, tanto o Brasil quanto os EUA precisam baixar os ânimos e ver os pontos nos quais podem ceder para voltar a negociar. "Tem que baixar a bola todo mundo. Voltar para mesa levando uma proposta sobre tudo aquilo que o Brasil quer e ouvir dos Estados Unidos, e fazer realmente um acordo. Todo mundo tem que ceder um pouco se quiser sentar numa mesa disposto a fazer um acordo. O Brasil, então, tem que saber até onde ele pode ir e até onde ele pode recuar em alguns produtos, em algumas cadeias de produção", avaliou a senadora. A senadora disse, ainda, esperar que esse processo não tenha sido iniciado de forma eleitoreira, e que ainda deve demorar para ser colocado em prática. "A reciprocidade não é uma ação imediata. Você aciona a lei e ela não chega já na última escala. Você tem aí um tempo, você tem várias ações de início, de quando você abre a lei. Eu espero que [esse processo] realmente tenha maturidade, e a gente sabe que os nossos negociadores têm. Se não for uma medida eleitoreira, tem tempo para qualquer governo que seja [reverter]. Isso aí é muito ruim, não interessa a quem for eleito. É muito ruim para o país, é muito ruim para quem produz e quem é exportador no país", explicou. A ex-ministra da Agricultura ressaltou também que a regulamentação pelo Brasil da exploração das terras raras pode auxiliar no processo de negociação das tarifas com os EUA. Nesta sexta-feira (14), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deu andamento à tramitação do projeto do governo sobre o tema, o qual já foi aprovado pela Câmara dos Deputados. "Com certeza ajuda. Não só com os Estados Unidos, mas também com outros países que têm interesse em minerais críticos. Tendo uma regulamentação, você senta à mesa sabendo aquilo que você quer. O que nós precisamos é saber o que o Brasil quer em relação aos minerais críticos, o que é bom para o país com essa regulamentação e como ela vai funcionar. Isso estando posto, votado e aprovado, eu acho que facilita a negociação para o governo", finalizou a senadora. Assim como Tereza, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), disse esperar que a continuidade do diálogo do Brasil com os EUA caminhe junto do início da análise da reciprocidade. Ele também pontuou que seguirá acompanhando o cenário na CRE. "O processo iniciado agora não significa a adoção automática de contramedidas. Abre uma etapa de avaliação e de consultas diplomáticas com os Estados Unidos. Considero importante que esse espaço seja utilizado para buscar uma solução negociada, ao mesmo tempo em que o Brasil avalia, com responsabilidade e critérios técnicos, os instrumentos que tem à disposição", expressou o senador em nota. Os dois senadores fizeram parte, no ano passado, de uma missão parlamentar que foi aos EUA dialogar com os parlamentares americanos sobre o tarifaço aplicado por Donald Trump contra os produtos brasileiros. Pouco tempo depois de retornarem de Washington, os EUA anunciaram uma nova lista de produtos que seriam poupados dessas tarifas.
Tereza Cristina diz que processo para adoção de reciprocidade contra os EUA é ação precipitada
Decisão do governo Lula (PT) veio em reação à taxa de 25% sobre exportações brasileiras anunciada pelo governo Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana
















