A senadora Tereza Cristina (PP-MS), considera que "ainda não" é o momento de o Brasil aplicar a Lei da Reciprocidade sobre os Estados Unidos, que ameaça aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Líder do PP no Senado, ela foi uma das principais articuladoras para a aprovação da norma que permite ao país aplicar medidas para reagir a políticas unilaterais de outros países que atinjam setores produtivos brasileiros. Leia mais: "Eu acho que a reciprocidade é quando você esgota todas as fases de negociação. É claro que o Brasil vai ter que se esforçar um pouco mais nessa negociação, sentar mais à mesa, ter paciência e ver como é que vai. Isso é o papel do Executivo. Nós aqui [no Senado] podemos ajudar, mas esse é um papel fundamental para o Executivo tratar com os Estados Unidos", declarou a senadora a jornalistas nesta manhã. O governo americano concluiu segunda-feira (1) investigação que acusa o Brasil de práticas que "oneram ou restringem" o comércio dos EUA e propôs aplicar as tarifas. Há exceção para mercadorias que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional" - dentre elas, carne, frutas, café, aeronaves e terras raras. Antes de aplicar as sanções, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas. O prazo limite para a definição e aplicação das medidas contra o Brasil foi fixado em 15 de julho de 2026. Para Tereza Cristina, a aplicação de tarifas decorrente de investigação comercial com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, como ocorre agora, não é novidade. "A gente torcia para que não acontecesse. Eu digo dessa bendita 301 desde o dia que nós voltamos da missão aos Estados Unidos, há um ano atrás, e que a grande preocupação era saber onde é que essa investigação chegaria, porque ela é muito ampla", disse. "Ela fala em Pix, ela fala em desmatamento, no aumento de tarifas, então é uma preocupação neste momento nas relações comerciais com os Estados Unidos comerciais. A gente tem uma tarifa de 25% em vários produtos, mas não foi para todos. Através dessas tarifas, ela [a decisão] inviabiliza alguns produtos de exportação para os Estados Unidos", disse a senadora. Diálogo aberto com novo embaixador Ex-ministra da Agricultura do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro,Tereza Cristina também demonstrou a possibilidade de abertura de diálogo com o novo nome indicado por Donald Trump para chefiar a embaixada dos EUA no Brasil, o deputado estadual da Flórida Daniel Perez. A nomeação dele para o posto ainda precisa ser confirmada pelo Senado americano. "É ruim, né? Porque vem duas coisas juntas: você colocar as facções e PCC e o Comando Vermelho como atividade terrorista e, também, vir junto essa coisa de comércio. Então, vamos ver. Mas agora o Brasil vai receber um novo embaixador americano, de repente a gente vai abrir aí novas conversas mais de perto", afirmou a ex-ministra da Agricultura. Para a senadora, o caminho, neste momento, é continuar conversando com os americanos e não "fechar portas", principalmente com os parlamentares brasileiros mais ativos no diálogo com seus colegas dos Estados Unidos. "É claro que tem cunho político, tudo tem cunho político. Agora, a gente tem que entender um pouco melhor esse cenário. Nós somos deficitários com os americanos. Então, a justificativa não está aí, a justificativa é outra", ponderou Tereza. "É claro que eles olham de uma maneira global, mas a gente precisa entender melhor essa posição para a gente não começar a 'ver chifre em cabeça de cavalo'. Cabe ao Congresso, de novo, conversar", disse.