A jornalista Miriam Leitão afirmou nesta terça-feira (2), durante o Bom Dia Brasil, que a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros é "mais perigosa" do que o tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump no ano passado. Segundo ela, a medida atual está baseada na chamada Seção 301 da legislação comercial americana, em vigor desde 1974, e seguiu os procedimentos previstos pela lei dos Estados Unidos. "Essa é uma investigação que existe dentro da legislação americana há muito tempo. É diferente daquelas tarifas anunciadas no ano passado, de forma improvisada. Essa é mais perigosa porque todos os ritos foram seguidos", disse. Segundo ela, por ter sido conduzida dentro dos mecanismos legais previstos pela legislação americana, a decisão tende a ser mais difícil de ser revertida na Justiça. Foto de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025 — Foto: Reuters/Carlos Barria/File Photo Durante o processo, o governo brasileiro organizou uma equipe de negociadores e participou de reuniões com autoridades americanas para contestar as acusações que fundamentaram a investigação. Empresários brasileiros também viajaram aos Estados Unidos acompanhados de advogados para apresentar argumentos contrários às alegações do governo americano. Parte das acusações feitas pelos EUA não se sustenta. Segundo a jornalista, os EUA fizeram críticas relacionadas ao combate à pirataria, ao desmatamento e ao sistema de pagamentos instantâneos PIX. Sobre o desmatamento, Miriam destacou que os índices vêm caindo nos últimos anos e afirmou que o governo brasileiro deverá anunciar em 2026 a menor taxa registrada desde o início da série histórica, em 1988. Ela também rebateu as críticas ao Pix, apontando que o sistema representa uma inovação financeira e que sua concorrência com cartões de crédito não configura uma prática comercial desleal. Apesar da decisão americana, Miriam ressaltou que ainda há espaço para negociações até 15 de julho, prazo estabelecido para a entrada em vigor da tarifa. "O Brasil vai continuar tentando conversar. Não vai abandonar a diplomacia. Mas está difícil porque o governo Trump está tratando isso como uma questão política, e não comercial", afirmou.