Para o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o "diálogo deve continuar sendo prioridade" O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu nesta quinta-feira (16) que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aplique a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos (EUA) neste momento, após a imposição de taxas contra produtos brasileiros. Para Nelsinho, o "diálogo deve continuar sendo prioridade". "O Brasil dispõe de instrumentos legais para defender seus interesses, entre eles a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. Sua existência fortalece a posição brasileira nas negociações. No entanto, qualquer medida deve ser adotada com responsabilidade, baseada em critérios técnicos e levando em consideração seus impactos sobre a economia nacional e sobre a possibilidade de novas rodadas de negociação", declarou o senador em nota divulgada à imprensa. "O próprio governo americano, ao divulgar sua decisão, afirma que a aplicação das tarifas não encerra as tratativas e que as medidas poderão ser revistas. Esse é um sinal de que o diálogo permanece aberto e deve continuar sendo prioridade". Ao lamentar a decisão dos EUA, o Executivo federal do Brasil anunciou que "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade”. Em nota, o governo classificou como "unilaterais" as tarifas anunciadas nesta madrugada. No ano passado, após a primeira imposição de tarifas contra os produtos brasileiros, a CRE promoveu a ida de um grupo de senadores aos EUA para dialogar com parlamentares americanos sobre a abertura de exceções ao tarifaço. A proximidade do anúncio destas novas tarifas das eleições majoritárias no Brasil em outubro, no entanto, dificulta a realização de uma nova missão internacional deste tipo. Embora tenha visto "com preocupação" a decisão dos EUA, o presidente da CRE acredita que o diálogo já estabelecido com os americanos resultou na ampliação da lista de exceções ao tarifaço. De acordo com o parecer da Representação de Comércio do país (USTR, na sigla em inglês), publicado na madrugada desta quinta, carnes e café estão entre as exceções. "Recebemos com preocupação a confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A decisão final representa um cenário menos gravoso do que a proposta inicialmente apresentada. A lista de exceções foi ampliada e passou a contemplar novos produtos de interesse da pauta exportadora brasileira, entre eles ferro-gusa, determinados couros, alguns produtos de madeira, mel orgânico, café instantâneo e outros insumos estratégicos. Esse avanço demonstra que o diálogo institucional e a mobilização dos setores produtivos produziram resultados", disse o senador. "Ao mesmo tempo, permanecem sujeitos às novas tarifas segmentos importantes da economia brasileira, como máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, aço, equipamentos ligados à mineração e outros produtos manufaturados. Por isso, o impacto sobre empresas, trabalhadores e cadeias produtivas continua sendo motivo de preocupação", finalizou Nelsinho, representando a CRÊ. Senador Nelsinho Trad (PSD-MS) — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado defende não aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA
Para o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o "diálogo deve continuar sendo prioridade"















