Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula durante anúncio de socorro para empresas afetadas pelo tarifaço de Trump — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo Apesar da abertura formal do processo de reciprocidade contra os Estados Unidos por causa do tarifaço, o governo Luiz Inácio Lula da Silva deve ter cautela na aplicação efetiva de taxas equivalentes a produtos americanos. Auxiliares do presidente entendem que a medida não pode significar um tiro no próprio pé com prejuízo para as empresas do Brasil. Em nota divulgada nesta quinta-feira, o governo informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que afeta também outras nações. As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora Integrantes do governo disseram que a abertura formal do processo de reciprocidade ocorreu agora por causa dos trâmites burocráticos. O anúncio de que a gestão Lula recorreria a esse expediente já havia sido feito no momento em que os EUA comunicaram que aplicariam as novas tarifas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, se reuniram com Lula no começo da noite desta quinta-feira para informar que a nota com a comunicação da notificação aos americanos seria divulgada. O Planalto avalia que colocar a Lei de Reciprocidade na mesa é fundamental para dar andamento às discussões sobre a questão tarifária e inibir a adoção de novas medidas contra o país. Em entrevista ao GLOBO, o ministro do Desenvolvimento, da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o movimento não significa que há uma decisão tomada e disse que o procedimento precisa estar à disposição se for necessário. — É negociação a qualquer momento e reciprocidade só quando necessário. Segundo Elias Rosa, o processo, que começa com as consultas diplomáticas do Itamaraty, é longo. — A gente tem 60 dias para fazer um relatório, lá para novembro, e aí eventualmente aplicar alguma medida. Se houver alguma urgência, pode até aplicar antes. Mas o processo precisa estar em andamento para que isso aconteça Antes de impor tarifas a produtos americanos, a ideia do governo é ouvir os empresários. Em julho, depois de se reunir com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir o tarifaço de 25%, o setor de máquinas e equipamentos, se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade, com a defesa de que a saída para o impasse comercial passa pela negociação e não pela revanche. A taxação aos produtos americanos só seria imposta agora para o caso de haver similares produzidos por outros países. Outra opção levantada por membros do governo brasileiro, prevista na Lei de Reciprocidade, é suspender obrigações de propriedade intelectual de produtos americanos, com o bloqueio de remessas de royalties.