Termina na quarta-feira (15) o prazo para a Casa Branca decidir se coloca em prática ou não a nova ofensiva contra o Brasil. 🔎Em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX. Lula na Cúpula do G7 — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução No entanto, negociadores brasileiros avaliam que, neste cenário, existe a possibilidade de o Departamento de Estado norte-americano incluir um anexo modificado na decisão sobre os 25%, aumentando a lista de exceções ao tarifaço, por exemplo. O governo brasileiro também aguarda ser chamado para uma última reunião virtual até quarta-feira (15) com Jamieson Greer. A expectativa é que haja uma prévia da decisão nessa reunião. Os cenários foram discutidos com o presidente Lula em reunião na última sexta-feira (10) com os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, no Palácio do Planalto. Segundo relatos, Lula reafirmou aos seus auxiliares que o Brasil tem obrigação de manter a negociação até o último momento, mas seguirá na posição de entender que as tarifas não têm justificativa. Até mesmo empresas americanas que dependem de importações brasileiras passaram a pressionar Washington para retirar alguns produtos do Brasil da lista de sobretaxas. Caso haja a confirmação da taxação, interlocutores do presidente Lula afirmam que a reação imediata do governo brasileiro deverá ser manifestar oficialmente "indignação" sobre a decisão da Casa Branca. O governo brasileiro deve reforçar também o entendimento de classificar uma nova taxação ao país como "inaceitável". As equipes técnicas e de alto nível do Brasil também devem se debruçar por alguns dias sobre a decisão para examinar a lista e avaliar os próximos passos — desde avaliar se há margem para tentar seguir nas negociações ou até a possibilidade de acionar a Lei de Reciprocidade. 🔎A Lei de Reciprocidade foi aprovada no Congresso Nacional em abril do ano passado e regulamentada pelo presidente Lula três meses depois, uma semana após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A lei permite que o Estado possa retaliar países ou blocos que imponham barreiras contra o Brasil. A diplomacia brasileira acredita que o presidente Lula não deve fazer nenhum movimento neste momento para tentar negociar diretamente com Donald Trump alguma outra saída. Pedido de adiamento O governo de Lula acredita ser pouco provável o adiamento do tarifaço ao Brasil. O entendimento entre interlocutores é que a política industrial americana é feita com base em tarifas e até agora os EUA não fizeram concessões a nenhum país. Nas reuniões com os EUA, os norte-americanos sinalizaram também que o prazo para a conclusão da investigação em 15 de julho era “imexível”. Caso os EUA mudem de ideia e decidam adiar, a avaliação é que a decisão deverá vir com uma justificativa — o que evitaria, inclusive, uma guerra de narrativas sobre o que levou à decisão. O Brasil não chegou a pedir o adiamento da medida por entender que as tarifas não são justas, mas acredita que a prorrogação do prazo seria bem-vinda, ainda mais se motivada por questões econômicas ou pelo entendimento de que é necessário seguir com as negociações. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Reprodução Flávio pediu pelo adiamento das tarifas 🔎 A participação nas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) é aberta aos interessados que se inscreverem — foi assim que Flávio Bolsonaro ganhou o espaço para falar no evento. A atuação dele é independente e não tem relação com o Itamaraty. Em caráter reservado, um auxiliar da diplomacia brasileira cita que a ala ideológica do governo norte-americano, formada por nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil, pode tentar interferir nas eleições do Brasil mesmo que custe a credibilidade do Departamento de Estado. Um adiamento também pode vir como sinalização política para Flávio Bolsonaro, na busca de dar munição para o pré-candidato do PL usar em sua campanha. Seria um gesto político do presidente Donald Trump a favor do senador do PL. Trump, que havia se aproximado de Lula, acabou fazendo acenos para Flávio Bolsonaro ao recebê-lo na Casa Branca em maio, dias depois de também receber Lula. Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas — Foto: Divulgação Um ano de tarifaço Há um ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na qual anunciou que o governo americano iria impor uma tarifa adicional aos produtos brasileiros vendidos no mercado do país. Um ano depois, o governo brasileiro tenta evitar que novas tarifas propostas pelos EUA entrem em vigor. Ao longo dos últimos 12 meses, algumas das tarifas foram revistas, outras mantidas e novas cobranças foram anunciadas pelo governo americano. Trump manda carta a Lula e anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — Foto: Reprodução
Governo Lula aguarda decisão de Trump para calibrar reação ao tarifaço | G1
O governo Lula monitora o tarifaço dos EUA ao Brasil e avalia aplicar a Lei de Reciprocidade caso Donald Trump confirme as novas taxas nesta quarta-feira.











