O governo Lula (PT) pretende esperar a definição da lista de produtos brasileiros que serão atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos antes de discutir em detalhes uma eventual retaliação comercial ao governo Donald Trump. A decisão dos norte-americanos deve ser publicada nesta semana.

Auxiliares do presidente afirmam que a possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade continua sobre a mesa, mas avaliam que qualquer decisão agora seria precipitada. O principal problema é a falta de informações sobre o alcance da sobretaxa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Até o momento, o governo brasileiro não sabe quais produtos, setores ou empresas serão atingidos pela medida. A recomendação final do USTR é esperada para 15 de julho, quarta-feira. A decisão final caberá a Trump.

A orientação, por isso, é analisar item a item a lista americana antes de definir uma resposta. Interlocutores do governo afirmam que será necessário medir o impacto das tarifas sobre cada setor da economia brasileira para, só então, planejar eventuais contramedidas.

O governo já dispõe de respaldo legal para reagir. Sancionada em abril de 2025, depois de aprovação pelo Congresso, a Lei da Reciprocidade Econômica autoriza o Executivo a adotar reações contra países ou blocos que imponham barreiras prejudiciais às exportações e à competitividade brasileira. Entre as possibilidades estão a imposição de tributos, taxas ou restrições sobre importações e a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relacionadas à propriedade intelectual.