A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras provocou reação imediata no Palácio do Planalto. Embora a medida ainda dependa de uma decisão do presidente Donald Trump, auxiliares do presidente Lula (PT) avaliam que o movimento extrapola a esfera comercial e se insere em um contexto mais amplo de pressão sobre o governo brasileiro – em ano eleitoral.

A orientação de Lula é manter abertas as negociações com Washington até o encerramento do processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), previsto para 15 de julho. A avaliação no governo é que ainda existe espaço para reverter ou atenuar eventuais sanções antes de uma decisão definitiva da Casa Branca.

Nos bastidores, porém, a leitura é que a iniciativa americana ocorre em um momento de crescente desgaste nas relações bilaterais. A investigação concluída pelo USTR reuniu críticas a temas como plataformas digitais, sistema de pagamentos eletrônicos, combate a corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento, argumentos que integrantes do governo consideram pouco consistentes para justificar uma nova rodada de restrições comerciais.