A ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros colocou o debate sobre o tema nas campanhas dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto. Enquanto aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veem espaço para reforçar o discurso de soberania nacional e associar as tarifas ao encontro do presidente Donald Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca, interlocutores da direita tentam desvincular o tema da família Bolsonaro e enquadrar a discussão como uma recomendação técnica do governo americano. O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa punitiva de 25% sobre parte das mercadorias importadas do Brasil, após concluir uma investigação que considerou parte das práticas brasileiras como injustas em uma série de questões, que incluem comércio digital, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Entre os petistas, a avaliação é de que a decisão reforça um eixo que já vinha sendo desenhado para a campanha de Lula em 2026, que envolve o discurso de soberania nacional e defesa dos interesses brasileiros diante de pressões externas. Na oposição, a estratégia é desvincular a discussão tarifária da visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e apresentar o tema como resultado de uma discussão técnica conduzida pelo USTR, sem relação direta com uma decisão política a ser tomada pela Casa Branca. Interlocutores que participaram da reunião nos EUA com Flávio disseram ao Valor que o senador defendeu às autoridades americanas que “não há necessidade de tarifas ao Brasil”. Segundo essa fonte, a “receptividade foi total”. O entorno de Flávio Bolsonaro acredita que a recomendação técnica do USTR não será implementada antes das eleições brasileiras e avaliou que uma eventual imposição de tarifas dependeria do resultado do pleito presidencial. A leitura entre os bolsonaristas é a de que Trump aguardaria a definição das eleições no Brasil antes de tomar qualquer medida mais dura na relação comercial entre os dois países. Já entre os governistas, o tema da soberania “sempre esteve no radar” da pré-campanha de Lula e deve continuar sendo explorado por parlamentares e pelas redes do PT. Integrantes do partido também lembram episódios anteriores de alinhamento do bolsonarismo ao trumpismo, como o uso de bonés com o slogan “Make America Great Again” (Maga), e avaliam que a nova rodada de tensão comercial dificulta uma tentativa de dissociar a direita brasileira de medidas que possam prejudicar a economia brasileira.
Ameaça de novo tarifaço entra no radar das pré-campanhas ao Planalto
Lula associa medida à visita de Flávio a Trump e senador diz que trabalhou contra tarifas











