Estratégia brasileira deve ser tentar manter aberta a negociação diplomática com os Estados Unidos O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres a bordo do Air Force One — Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 00:44 Governo Trump propõe novas tarifas sobre produtos brasileiros devido a preocupações trabalhistas O governo Trump propôs novas tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, alegando preocupações com trabalho forçado. Outros países, como China e Índia, também são alvo das tarifas. A medida, parte de uma estratégia mais ampla de Trump para reintroduzir barreiras tarifárias, ainda passará por consulta pública antes de ser implementada. O Brasil já havia sido alvo de uma proposta de tarifa de 25% um dia antes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a proposta dos Estados Unidos de uma nova taxação às exportações brasileiras após uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado não é direcionada ao país, mas resultado de uma estratégia da Casa Branca de recompor as tarifas derrubadas pela Suprema Corte americana. Ao contrário da taxação de 25% proposta como resultado de uma investigação de práticas injustas do Brasil que prejudicam o comércio dos EUA, as tarifas vinculadas às suspeitas de trabalho forçado foram aplicadas a um conjunto de 60 países. Para a maioria deles, incluindo o Brasil, a nova taxa é de 12,5%. Diferentemente da tarifa imposta ao Brasil após conclusão da investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, cuja alíquota de 25% pegou o Palácio do Planalto de surpresa, a medida anunciada nesta quarta-feira já era esperada pelo governo federal. A ideia, de acordo com auxiliares do petista, é manter o discurso unificado — que será coordenado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) — entre os ministérios envolvidos nas tratativas e reforçar o discurso de defesa da soberania brasileira. Uma nova rodada de conversas entre ministros, incluindo o titular da área do Trabalho, Luiz Marinho, pode ocorrer ainda nesta quarta, de acordo com um governista. A nova tarifa, se confirmada, será adicional aos 25%. A nova taxa também tem exceções, mas técnicos do governo ainda estão avaliando se são as mesmas da decisão anterior, que, segundo o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, atinge 21% da pauta exportadora para os EUA. Ambas as decisões americanas ainda estão sujeitas a um período de consulta pública. A avaliação de integrantes do governo Lula é de que a nova cartada de Trump não é direcionada ao Brasil, mas faz parte de uma estratégia mais ampla de recompor sua política tarifária após a decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano. Os magistrados avaliaram que houve excesso de autoridade de Trump ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional no tarifaço a diversos países. Para tentar reverter mais um ataque comercial, a estratégia do governo Lula deve seguir a mesma: tentar manter aberta a negociação diplomática com os Estados Unidos. A questão é se haverá abertura do lado dos americanos. Um ponto que pode ser levantado se houver espaço para diálogo é a lei antidumping brasileira, que, segundo pessoas com conhecimento no assunto, é considerada moderna, e já permite denúncias contra importações fabricadas com trabalho forçado. Interlocutores afirmam que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve testar o terreno com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, nesta quarta-feira em Paris. Os dois já se encontraram rapidamente esta manhã às margens de um evento da OCDE. Uma ligação de Lula para Trump não deve ocorrer por ora, mas é esperada em algum momento. Segundo integrantes do governo, o presidente deve esperar o assunto decantar primeiro. A avaliação entre auxiliares de Lula é que as ações de Trump têm viés político e que, desde o primeiro momento, o governo federal tem apresentado argumentos técnicos para contrapor essas decisões — que têm sido ignorados. Apesar disso, o caminho deve ser insistir no diálogo diplomático com as autoridades americanas.