Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma sobretaxa sobre importações brasileiras no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado Presidente Lula participa de reunião ministerial no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 15:45 Brasil critica tarifa dos EUA por trabalho forçado e ameaça retaliação O governo Lula classificou como "absurdo" o argumento dos EUA para impor uma tarifa de 12,5% sobre importações brasileiras, alegando trabalho forçado. O Brasil destacou seu reconhecimento internacional no combate ao trabalho forçado e ameaçou reciprocidade caso as tarifas avancem. Lula criticou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e planeja buscar novos parceiros comerciais se as negociações falharem. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo Lula divulgou nota, nesta quarta-feira, na qual afirma que o argumento dos Estados Unidos para tarifa de 12,5% por condições de trabalho é "absurdo" e "lamentável". "É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", diz o texto. "É um absurdo tentar associar a competividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político", afirma. Na nota, o governo manifestou "profunda discordância" com a conclusão a respeito do trabalho forçado e disse que o Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, "para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional". "No contexto da presente investigação, o Brasil forneceu manifestações escritas e explicações sobre o arcabouço legal nacional para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. As autoridades aduaneiras brasileiras detêm competência legal para negar a entrada e confiscar qualquer mercadoria estrangeira que seja contrária à moral pública, aos bons costumes, à saúde pública ou à ordem pública. Qualquer bem produzido no todo ou em parte por trabalho forçado enquadra-se nessa definição", afirma a nota do Planalto. O governo diz ainda que o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, segue à disposição dos EUA e afirma esperar que recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas. Além disso, reitera que adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. Lula critica Rubio Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após o anúncio de novas tarifas a produtos brasileiros. Em reunião com ministros no Palácio do Planalto, Lula disse que recorrerá ao presidente Donald Trump e que pode procurar outros parceiros comerciais caso os americanos não estejam dispostos a negociar. — Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana, não é possível — afirmou Lula. — Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado. A defesa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula, que acusa a família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, de ter articulado as sanções junto a Trump. Com tapete vermelho, Trump recebe Lula na Casa Branca 1 de 8