Gerando resumoBRASÍLIA - Empresários brasileiros e representantes do setor privado que participaram da audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação de supostas práticas desleais adotadas no comércio pelo Brasil na última semana consideram “inevitável” o novo tarifaço sobre produtos importados brasileiros.Ao mesmo tempo, o setor privado vê espaço para a ampliação da lista de exceções à nova sobretaxa. Em seu relatório preliminar, em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de alíquota de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com previsão de conclusão da investigação nesta quarta-feira, 15, após as consultas públicas. A nova tarifa, se aplicada sobre o Brasil, ocorre no âmbito da investigação comercial sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana Foto: Francisco Seco/APPUBLICIDADEO Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que a nova tarifa pode atingir 21% das exportações brasileiras para os EUA, caso seja efetivamente aplicada.Para representantes do agronegócio e da indústria ouvidos pelo Estadão/Broadcast, a decisão sobre a aplicação das tarifas sobre o Brasil será política. Outro interlocutor aponta para o esgotamento nas negociações entre o governo brasileiro e o governo americano, com mais de dez reuniões bilaterais. Há queixa do governo brasileiro de que os EUA não deixam claro as ambições com as negociações e citam temas “fora da mesa”, como o Pix e minerais críticos, relatam os empresários. Apesar de considerarem o debate da audiência da última semana “técnico” e de elevado nível, representantes dos setores brasileiros afirmam que a percepção é de que a decisão do USTR sobre as tarifas já estava tomada. PublicidadeLeia maisTarifas: mais de 4 mil produtos brasileiros vendidos aos EUA podem ter taxa elevada a 37,5%, diz CNIOs interlocutores apontam ainda para pouco tempo hábil para uma avaliação profunda dos argumentos apresentados. A audiência integrou as etapas finais da investigação feita pelo governo americano.A expectativa dos representantes do setor privado é pela ampliação da lista de exceções. Na iminência do novo tarifaço, a exclusão dos produtos da taxação foi o principal pleito apresentado pela maioria dos setores e empresas que participaram da audiência, relatam interlocutores.No relatório preliminar, o USTR recomendou a exclusão da tarifa para a maior parte de produtos agropecuários, aeronaves e partes aeronáuticas, fertilizantes, minerais críticos e estratégicos e insumos industriais relevantes para cadeias produtivas americanas.PublicidadeAgora, o setor privado vê espaço para manutenção dessas recomendações e extensão da lista a itens como calçados, café solúvel e insumos industriais, sobretudo da cadeia de máquinas e equipamentos. Outro líder empresarial pondera, entretanto, que Trump está exercendo o máximo de pressão nas negociações comerciais, o que atrapalha uma potencial extensão da lista ou eventuais modulações. Os empresários não descartam também uma eventual modulação na alíquota aplicada. A nova tarifa, se aplicada sobre o Brasil, ocorre no âmbito da investigação comercial sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.Publicidade