0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Malásia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP É importante que o Brasil tenha a Lei da Reciprocidade Econômica, mas para não precisar usá-la. Isso porque, se o governo decidir responder na mesma moeda aos Estados Unidos, elevando as tarifas sobre os produtos americanos que entram no Brasil, estará dando um tiro no pé. O efeito de uma medida desse tipo seria o aumento da inflação, justamente o que não se quer, de jeito nenhum. Retaliar elevaria os custos para as empresas brasileiras, pioraria as condições de negócios e poderia deteriorar ainda mais as relações comerciais com os Estados Unidos. Consultas, limites e ritos: entenda a Lei da Reciprocidade, após governo Lula abrir processo contra os EUAApesar de abertura de processo, governo Lula deve ter cautela ao aplicar reciprocidade contra produtos americanos: Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump O diálogo com o governo de Donald Trump está difícil, mas o Brasil tem tentado. E precisa continuar tentando, porque os Estados Unidos têm um enorme poder econômico e porque o Brasil tem princípios a defender. Um deles, bastante caro ao país, é o da soberania. O Brasil sempre foi um país soberano e não vai aceitar intervencionismo nem abaixar a cabeça. Mas, como pontuou o ministro Márcio Elias Rosa em entrevista ao GLOBO, responder aos Estados Unidos não pode significar uma lesão autoinfligida. Ou seja, não se pode adotar uma reação que prejudique os próprios interesses brasileiros. Essa é a delicadeza do momento. É preciso fazer a melhor diplomacia comercial possível, e o Brasil tem quadros de excelência e uma longa tradição nessa área. Mais do que entrar em uma disputa ou politizar o conflito entre os dois países, o primordial é defender os interesses brasileiros. Os Estados Unidos claramente politizaram o uso das tarifas. Há uma ofensiva motivada pelo fato de o governo Lula não ser de direita nem estar alinhado à gestão Trump. O governo americano já deixou claro que tenta criar um ambiente favorável ao candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro. Esse tipo de procedimento é inaceitável nas relações entre os países. Não se deve interferir nos assuntos internos de outras nações. O governo Trump não mostra apreço a princípios diplomáticos internacionais. A situação entre Brasil e Estados Unidos é complexa e envolve uma série de detalhes que precisam ser enfrentados com toda a inteligência e a experiência da diplomacia comercial brasileira. É possível retaliar pontualmente uma empresa que tenha interesses no Brasil, por exemplo, e fazê-la pressionar o governo americano por estar sendo prejudicada por sua política. Ao mesmo tempo, é cada vez mais necessário encontrar aliados no mercado americano e alternativas para a exportação de produtos brasileiros, como nas negociações com a Índia, que pode ampliar seu acordo comercial com o Brasil, conforme informou ao GLOBO o ministro Elias Rosa, que acaba de retornar do país. Todo esse imbróglio com os Estados Unidos pode acabar deixando um legado positivo: a abertura de novos mercados para o Brasil. Mas não será fácil substituir um mercado tão grande quanto o americano. O Brasil aciona a Lei da Reciprocidade, mas abre 60 dias para conversar. E esse tem que ser o objetivo da diplomacia brasileira, retomar o diálogo com os Estados Unidos. O início do processo de reciprocidade não significa a aplicação de retaliação imediata. Isso seria um erro diplomático, político e econômico. Portanto, abrir o processo, abrir a possibilidade de diálogo, conversar com as empresas americanas, ver se tem algo que o Brasil possa fazer que atinja a eles, se que não seja um tiro pela culatra, é o que tem que ser pensado. Toda a inteligência da diplomacia comercial brasileira tem que ser acionada nesse momento difícil. O Brasil não pode ter mais prejuízos econômicos . E é esse medo de novas perdas que faz com que as empresas venham defendendo que o país não retalie os Estados Unidos O Brasil tem séculos de boa diplomacia, é a casa do Rio Branco. Será preciso usar todos os princípios e tradição para lidar com essa questão extremamente delicada com a qual o Brasil está lidando nesse momento.
Lei da Reciprocidade é importante, mas para não ser usada. É hora de recorrer a inteligência da diplomacia comercial brasileira
Lei da Reciprocidade é importante, mas para não ser usada. É hora de recorrer a inteligência da diplomacia comercial brasileira













