O Brasil deve reagir às tarifas dos Estados Unidos. Mas reação não se confunde com retaliação. O objetivo deve ser remover barreiras, não multiplicá-las. Por isso, o caminho mais eficaz é negociar.

A Lei de Reciprocidade Econômica é um instrumento legítimo e pode parecer uma resposta firme e altiva do Brasil. Acioná-la agora, porém, seria um tiro no pé, com elevado risco de provocar uma escalada política e comercial na qual o país tem muito a perder.

Elevar impostos sobre a importação de bens norte-americanos encareceria a vida dos brasileiros e reduziria a competitividade nacional. O país compra dos EUA medicamentos, fertilizantes, defensivos agrícolas, bens de capital, partes de aeronaves, diesel e gasolina. São insumos para a indústria e a agropecuária, além de bens essenciais para os cidadãos.

A medida também teria pouca eficácia. O Brasil representa apenas 2,5% das exportações totais de bens dos Estados Unidos. É o clássico caso em que os efeitos colaterais superam os resultados pretendidos.

Propostas de restrições a investimentos ou à propriedade intelectual seriam ainda mais temerárias. Colocariam em risco a segurança jurídica e a reputação do Brasil como destino de investimentos. Seria jogar contra o ambiente de negócios do país.