O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, acompanhava uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços quando a medida foi divulgada. “Nós estamos trabalhando também muito próximo, conversando muito com as empresas americanas, para que nós possamos fazer o nosso papel construtivo. Nós não podemos deixar que esse tom eleve e que as coisas comecem a tomar derivações que não são pertinentes nem para uma economia, nem para a outra”, disse Alban. Esta é a segunda sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros nos últimos dias. Desde quarta-feira, passou a valer uma tarifa de 25% após uma investigação do governo americano concluir que o Brasil adota práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas dos Estados Unidos. Segundo estimativa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), US$ 10,7 bilhões em exportações brasileiras passarão a enfrentar a incidência simultânea da tarifa de 25% e da nova sobretaxa anunciada nesta quinta-feira, totalizando uma cobrança de 37,5%. Em nota, o governo brasileiro afirmou que “rechaça” a decisão do governo americano. De acordo com o Palácio do Planalto, durante a investigação conduzida pelos Estados Unidos, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou esclarecimentos e apresentou documentação sobre a legislação brasileira e sobre a atuação das autoridades aduaneiras para coibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O governo também declarou que considera as tarifas anunciadas “completamente arbitrárias e injustificadas”. Diante da medida, o Planalto informou que vai iniciar imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e levar o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A legislação permite que o Brasil responda a medidas unilaterais adotadas por outros países com a imposição de encargos sobre produtos e serviços importados. Já a Câmara Americana de Comércio para o Brasil afirmou que medidas de reciprocidade não ajudam a superar as divergências atuais e apresentam risco de ampliar a tensão política e comercial entre os dois países. A entidade também defendeu a continuidade das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos como caminho para reverter as sobretaxas anunciadas. LEIA TAMBÉM
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