0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor da BMJ — Foto: Reprodução/BMJ RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 10:23 Welber Barral: Resposta Brasileira à Tarifa dos EUA é Normal Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, afirma que a aplicação da Lei de Reciprocidade é parte normal das negociações comerciais, especialmente em resposta à nova tarifa de 25% sobre importações brasileiras pelos EUA. Ele destaca que a medida não encerra as negociações entre os países e que questões como terras raras ainda podem ser acordadas. Barral critica falhas na justificativa técnica dos EUA para a tarifa, prevendo judicialização. Setores como têxtil e calçadista serão prejudicados, exigindo apoio governamental. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O anúncio da nova tarifa de 25% sobre as importações brasileiras não encerra as negociações entre Brasil e Estados Unidos, avalia Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor da BMJ. Segundo ele, a Lei de Reciprocidade não deve ser estigmatizada e seu acionamento faz parte do próprio processo de negociação. 'EUA fazem uso da coerção como instrumento de política externa e foi o Brasil que não negociou de boa-fé?', questiona especialistaTarifaço: Lei da Reciprocidade pode levar embate entre Brasil e EUA ao campo das patentes. Entenda — O uso da Lei de Reciprocidade faz parte da negociação. Temos que desdramatizar um pouco essa situação. O Brasil utiliza essa lei justamente nos casos em que há discriminação contra as exportações brasileiras, como ocorre agora com os Estados Unidos. É bom lembrar que os EUA estão envolvidos em várias negociações simultaneamente, por causa das tarifas aplicadas a outros parceiros comerciais importantes, e o Brasil não é a prioridade. Nesse contexto, a aplicação da Lei de Reciprocidade é uma forma de aumentar a relevância do Brasil no processo negociador com os Estados Unidos — afirma Barral. Na avaliação do especialista, a diplomacia brasileira fez seu trabalho, mas a negociação é, de fato, muito complexa. Segundo ele, ainda há temas passíveis de acordo, como terras raras e minerais críticos, e outros sobre os quais não há margem para negociação, como o Pix. Barral ressalta que, embora o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) tenha buscado dar embasamento técnico à decisão, o documento deixa claras falhas no processo de investigação. Ele acredita que a nova tarifa tende a ser judicializada, como aconteceu com o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump no ano passado: — Eles procuraram justificar a medida com embasamento técnico, até para evitar a judicialização, que deve ocorrer de qualquer forma. Mas há muitas falhas na investigação, desde considerar o Pix uma forma de concorrência desleal até incluir o desmatamento, que não afeta em nada as exportações dos Estados Unidos. Apesar das exceções concedidas a produtos como carnes, minerais e químicos, que integram uma extensa lista de isenções, Barral destaca que setores manufatureiros, como têxtil, calçadista e moveleiro, serão especialmente prejudicados pela nova taxação. Para esses segmentos, avalia, será mais uma vez necessária a adoção de medidas de apoio pelo governo, além de esforços para redirecionar as exportações a outros mercados.