A abertura do processo que aplica a Lei de Reciprocidade Econômica contra o tarifaço de Donald Trump não significa que o Brasil vá retaliar imediatamente os Estados Unidos. Prevista em lei, a ação deve se estender por etapas de análise e consulta e, neste momento, serve mais como uma ferramenta de pressão sobre Washington do que como o início de uma guerra comercial.

Essa é a avaliação de especialistas em comércio internacional, que se dividem sobre os benefícios do caminho adotado pelo governo brasileiro. Para alguns, a estratégia impõe riscos e pode acabar "punindo" empresas em dobro. Para outros, é uma resposta natural e sinaliza que o Brasil tem instrumentos para reagir.

A percepção em comum é que o governo terá de fazer um "ajuste fino" na resposta para evitar que uma eventual retaliação encareça insumos, máquinas e tecnologias importados pelos setores produtivos brasileiros e acabe agravando os efeitos das tarifas americanas sobre a economia nacional.

A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), que reúne empresas brasileiras e americanas, defende que a prioridade para solucionar o impasse seja a negociação e disse que acompanha o início do processo com atenção.