"O governo brasileiro informa que deu início a análise de pleito ordinário de enquadramento, sob a Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), das medidas unilaterais adotadas pelo governo dos Estados Unidos da América no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio daquele país", informou o governo em nota. O que é a Lei da Reciprocidade Econômica? Aprovada em 2025, a Lei da Reciprocidade Econômica é um mecanismo que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações de outros países que prejudiquem a competitividade brasileira. O texto define as situações em que o governo pode recorrer ao instrumento e quais medidas podem ser adotadas. Entre elas estão a suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. O início do processo O governo afirmou que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) "está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas". "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", diz a nota. O governo brasileiro afirma que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301. "[O governo brasileiro] apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil. As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz a nota do governo. No mês passado, após a tarifa de 25% entrar em vigor, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil seguisse negociando com os EUA pela via diplomática e empresarial. Pouco antes da nota ser divulgada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para tratar do assunto. OMC No início desta semana, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas;outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images