Partido de Lula vê 'indícios de ingerência externa indevida' no processo eleitoral brasileiro em passagem do presidente da Argentina pelo país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Argentina, Javier Milei, de mãos dadas com o candidato do PL ao Palácio do Planalto, senador Flávio Bolsonaro (RJ) — Foto: Nelson Almeida/AFP O Partido dos Trabalhadores acionou nesta segunda-feira (27) a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar os gastos em torno da participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, ocorrida no último sábado (25), em São Paulo. Para a legenda, há “indícios de ingerência externa indevida” no processo eleitoral brasileiro. A sigla do presidente Lula acionou a PGR para obter esclarecimentos se houve uso de recursos partidários do PL com hospedagem, segurança e deslocamentos internos com o presidente argentino em sua agenda pela capital paulista. Na notícia de fato protocolada hoje à noite, o PT pede a apuração da utilização de estruturas estatais brasileiras e estrangeiras para atender Milei, o que teria potencial de abalar a normalidade, legitimidade e igualdade de oportunidades da disputa presidencial de 2026. O PT também quer esclarecimentos se o governo de São Paulo, comandado pelo governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), utilizou a estrutura “administrativa ou patrimonial” do Palácio dos Bandeirantes para potencializar a visita de Milei à capital paulista. No mesmo sábado, antes da convenção, o presidente argentino recebeu de Tarcísio a Ordem do Ipiranga, a maior honraria do estado. O governador de São Paulo é um dos principais aliados de Flávio no cenário nacional. Para a sigla de Lula, Milei “não se limitou a comparecimento protocolar ou saudação diplomática” em sua agenda pelo Brasil. “Ao contrário, proferiu discurso de explícito conteúdo eleitoral, no qual afirmou que apenas Flávio Bolsonaro poderia ‘parar Lula’, formulando, em substância, pedido de voto em favor do pré-candidato lançado pela agremiação e pedido de não voto em desfavor do atual presidente da República, identificado por expressões depreciativas e ofensivas”, sustenta a legenda. Discurso Na convenção nacional do PL, no Centro de Convenções do Pacaembu, Milei defendeu Flávio Bolsonaro como o único candidato capaz de vencer Lula e apelou à narrativa da extrema direita ao denunciar uma suposta ameaça do “socialismo” sobre o Brasil e a América do Sul. Ecoando o discurso da militância bolsonarista, citou o Foro de São Paulo, descrito por ele como “uma rede internacional” fundada por Lula e o cubano Fidel Castro “para a disseminação do comunismo no continente”, e usou seu próprio governo na argentina como um “modelo” para o Brasil. No discurso, o chefe de Estado argentino também atacou o ministro da Suprema Corte brasileira Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”, pelo fato do magistrado não ter autorizado uma visita sua ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Tal sequência de atos projeta, sobre a disputa eleitoral brasileira, o peso simbólico e político da autoridade estrangeira, ao mesmo tempo em que tensiona instituições essenciais ao funcionamento do Estado Democrático de Direito, como o Supremo Tribunal Federal e a própria Chefia do Poder Executivo nacional”, afirma o PT. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília e está proibido de receber visitas desde que Flávio divulgou uma carta do pai defendendo sua candidatura presidencial e a união da direita. As declarações de Milei foram condenadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, enquanto o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil para prestar esclarecimentos e classificou a fala do líder estrangeiro como "lamentável".
PT aciona PGR para investigar gastos com ida de Milei à convenção de Flávio Bolsonaro
Partido de Lula vê 'indícios de ingerência externa indevida' no processo eleitoral brasileiro em passagem do presidente da Argentina pelo país















