PUBLICIDADE Representação também cita como alvos Valdemar Costa Neto, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em razão da recepção oficial oferecida ao argentino 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Argentina, Javier Milei, de mãos dadas com o candidato do PL ao Palácio do Planalto, senador Flávio Bolsonaro (RJ) — Foto: Nelson Almeida/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 22:27 Federação pede investigação sobre Milei por ingerência eleitoral no Brasil A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, solicitou investigação à Procuradoria-Geral Eleitoral sobre a participação de Javier Milei, presidente da Argentina, na convenção do PL que lançou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. A federação alega ingerência externa nas eleições brasileiras, apontando suspeitas de financiamento inadequado e uso de recursos públicos. A petição também destaca declarações de Milei contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes, além de questionar a possível integração entre agendas oficiais e partidárias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou nesta segunda-feira uma notícia de fato ao procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, pedindo a abertura de investigação sobre a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A petição sustenta que há indícios de "ingerência externa indevida" no processo eleitoral brasileiro e solicita que o Ministério Público Eleitoral apure as circunstâncias da visita, incluindo sua organização, financiamento e eventual utilização de recursos públicos. A representação também cita como alvos o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o próprio Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em razão da recepção oficial oferecida a Milei antes da convenção partidária. Segundo a federação, a participação institucional do governador e a concessão da Ordem do Ipiranga ao presidente argentino, seguidas da presença no evento político, justificam a apuração sobre eventual integração entre a agenda oficial e a agenda partidária. Na peça, os advogados afirmam que Milei extrapolou uma manifestação de caráter político ao fazer um discurso em defesa de Flávio Bolsonaro. Segundo a petição, o presidente argentino afirmou que apenas o senador poderia "parar Lula", configurando, na avaliação da federação, um pedido explícito de voto em favor do pré-candidato e um pedido implícito de não voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento também menciona os ataques dirigidos por Milei ao ministro Alexandre de Moraes, chamado por ele de "lixo careca", e lembra que o presidente do STF, Edson Fachin, classificou as declarações como incompatíveis com as relações entre Estados soberanos. A Fé Brasil sustenta que o episódio deve ser analisado sob a ótica da soberania nacional e da normalidade das eleições, e não apenas como manifestação da liberdade de expressão de um chefe de Estado estrangeiro. Na avaliação da federação, a atuação de Milei representa uma forma de interferência institucional no processo eleitoral brasileiro, por ter ocorrido durante visita ao país permeada por compromissos oficiais e em benefício de uma candidatura específica. A petição dedica parte significativa de sua fundamentação à necessidade de esclarecer quem financiou a visita de Milei ao Brasil. Os advogados afirmam que não há informações públicas sobre quem custeou passagens, hospedagem, transporte, segurança, logística e demais despesas relacionadas à participação do presidente argentino na convenção do PL. O objetivo é verificar se houve utilização de recursos do governo argentino, do Partido Liberal, do governo paulista ou de fontes privadas e se esses gastos observaram a legislação eleitoral e partidária brasileira. Além disso, a federação pede que sejam apurados cinco pontos principais: a natureza jurídica da visita de Milei ao Brasil; a origem dos recursos utilizados para financiá-la; eventual uso de recursos públicos argentinos para uma agenda político-partidária; possível emprego de estrutura do governo de São Paulo para favorecer o evento do PL; e eventual coordenação entre autoridades brasileiras, o governo argentino e o partido na organização da agenda. Os advogados também argumentam que experiências internacionais demonstram que democracias passaram a tratar a interferência estrangeira em eleições como um risco permanente à soberania popular. Com base nessa premissa, afirmam que a presença de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção partidária, com discurso de apoio explícito a um pré-candidato e ataques a integrantes do Supremo Tribunal Federal, possui "densidade institucional suficiente" para justificar a abertura de procedimento pelo Ministério Público Eleitoral. Ao final, a federação pede que a Procuradoria-Geral Eleitoral instaure procedimento para reunir documentos, requisitar informações aos envolvidos e esclarecer se houve utilização de estruturas públicas ou partidárias para potencializar a participação de Milei na convenção do PL e eventual influência sobre o processo eleitoral brasileiro.