Presidente argentino veio para convenção partidária que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República Ofensas proferidas por Milei na convenção nacional do PL disparou crise diplomática entre os países — Foto: Kent Nishimura/Bloomberg O governo da Argentina se defendeu, neste domingo (26), das críticas após a ida do presidente Javier Milei ao Brasil para a convenção partidária que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em uma postagem nas redes sociais, a Casa Rosada acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de já ter interferido na política argentina ao ter visitado a ex-presidente Cristina Kirchner, em prisão domiciliar, no ano passado, às vésperas da eleição legislativa local. "Em julho de 2025, dois meses antes das eleições legislativas na Argentina, Lula desembarcou no país, evitou qualquer encontro com o presidente Milei e foi diretamente visitar e abraçar a ex-presidente condenada Cristina Kirchner. A visita funcionou como uma clara intromissão nos assuntos políticos internos, à qual se somaram comentários deploráveis de desprezo do presidente brasileiro pelas instituições e pelo Judiciário argentino", afirmou a Casa Rosada em uma postagem no X, em resposta a um deputado local que criticou a postura de Milei no Brasil. A mensagem foi divulgada após Lula ter convocado o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em razão de ofensas proferidas por Milei na convenção nacional do PL. No evento, o presidente argentino chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "lixo careca" por não tê-lo autorizado a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em regime domiciliar em Brasília após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado. Milei também atacou Lula, chamando o presidente brasileiro de "ladrão", "presidiário" e "lixo socialista", declarações que foram recebidas com aplausos pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro que acompanhavam a convenção que oficializou o senador como candidato ao Palácio do Planalto. Na nota, a Casa Rosada também citou a diferença de tratamento dado a Lula e a Milei pelos Judiciários dos dois países, afirmando que a Justiça argentina permitiu que o presidente brasileiro visitasse Cristina Kirchner, enquanto a Justiça brasileira impediu Milei de visitar Bolsonaro. Além disso, o governo argentino relembrou episódios anteriores envolvendo Lula e Milei. Segundo a Casa Rosada, o presidente brasileiro afirmou, em 2025, que Milei havia dito "muitas bobagens" e "estupidezes" e, posteriormente, integrantes do governo brasileiro também fizeram ataques ao presidente argentino. O comunicado cita declarações do atual secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, que teria chamado Milei de "imbecil" e "o presidente mais rejeitado da América Latina". Também menciona que o ex-ministro Paulo Pimenta classificou Milei como "criminoso". A troca de acusações repercutiu na imprensa argentina. O jornal Clarín afirmou que a tensão diplomática com o Brasil "está mais alta do que nunca" após o que chamou de "fortes ofensas" de Milei a Lula. O La Nación lembrou que este não foi o primeiro episódio em que um país convocou seu embaixador para consultas durante a gestão do presidente argentino, depois que Milei acusou a esposa do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, de corrupção durante um evento do Vox, de extrema direita, em Madri. Já o portal Todo Noticias destacou que a crise ainda se mantinha restrita ao âmbito das relações entre os presidentes, mas ameaçava "transcender o Executivo" e "atingir as relações entre os dois países". Na nota das redes sociais, Casa Rosada também repetiu uma acusação feita no sábado por Milei, de que Lula já havia tentado interferir na política argentina em 2023, após as eleições primárias (PASO), ao enviar consultores brasileiros ligados ao PT para auxiliar a campanha presidencial do então ministro da Economia Sergio Massa. Segundo a nota, o objetivo da equipe brasileira era promover uma campanha negativa contra Milei, disseminar medo entre os eleitores e tentar conter o avanço do então candidato libertário. O governo argentino classificou a iniciativa como uma tentativa de "interferência estrangeira", que, segundo a nota, fracassou quando os argentinos elegeram Milei no segundo turno. O comunicado termina defendendo a legitimidade do governo Milei, afirmando que o presidente "diz as coisas de frente, assume o custo de seus atos e governa", sustentando que seu projeto político foi ratificado nas urnas nas eleições legislativas de 2025, vencidas por seu partido, o “La Libertad Avanza”. Em um recado ao deputado Pablo Juliano, destinatário da publicação, a Casa Rosada afirmou que ele não deveria "ficar ao lado dos operadores que cruzam a fronteira para semear pânico" na Argentina e acusou a "extrema esquerda" de tentar influenciar eleições de outros países, atacar as instituições e criticar o sistema judicial argentino.
Governo da Argentina acusa Lula de interferência em visita a Kirchner, após críticas por vinda de Milei ao Brasil
Presidente argentino veio para convenção partidária que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República












