Publicações afirmaram que o líder argentino se envolveu na disputa eleitoral brasileira ao discursar em evento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Milei discursa em convenção do PL que lançou candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/07/2026 - 11:51 Javier Milei ataca Lula e apoia Bolsonaro, gerando tensão diplomática A participação de Javier Milei na convenção do PL no Brasil gerou repercussão na imprensa argentina, que destacou o aumento da tensão diplomática entre os países. Milei atacou Lula, chamando-o de "ladrão" e "prisioneiro", e expressou apoio a Flávio Bolsonaro, gerando críticas por sua interferência na política brasileira. O episódio é visto como parte de sua estratégia para se consolidar como líder da direita na América Latina. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República repercutiu na imprensa argentina neste domingo. Os principais jornais do país destacaram o tom do discurso do líder argentino, marcado por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e avaliaram que o episódio elevou a tensão diplomática entre os dois países. Durante o evento, realizado em São Paulo, Milei chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. As declarações foram feitas diante de apoiadores de Flávio Bolsonaro e foram recebidas com aplausos da plateia. O Clarín afirmou que “a tensão com o Brasil está mais alta do que nunca” após as “fortes ofensas” dirigidas por Milei ao presidente brasileiro. O jornal destacou que o argentino “se envolveu completamente na campanha brasileira” ao participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e fazer um discurso “repleto de insultos” contra Lula. O El Tiempo descreveu Milei como a “estrela” do evento e afirmou que o presidente argentino viajou a São Paulo para oferecer apoio internacional à candidatura de Flávio Bolsonaro. O jornal observou que, embora parte do público não compreendesse espanhol, os ataques a Lula eram recebidos com aplausos sempre que Milei elevava o tom da voz. A publicação também destacou que o argentino evitou chamar o presidente brasileiro pelo nome, referindo-se a ele como "Dom Lula", "o esquerdista", "ladrão" e "o prisioneiro". O jornal ainda afirmou que Milei "insistiu no erro" ao acusar Lula de "tentar fraudar as eleições de 2023 a seu favor", quando enfrentou Sergio Massa. Para o El Tiempo, a presença do presidente argentino representou um trunfo para a campanha de Flávio Bolsonaro: "Para a campanha de Flávio, a presença de Milei foi um trunfo significativo: sua candidatura está atrás nas pesquisas – o Datafolha coloca Lula com 48% contra 43% em um possível segundo turno, com uma diferença que aumentou um ponto percentual desde junho – e ele é assolado por escândalos, como a investigação aberta na quinta-feira sobre transferências de um banqueiro preso para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, e uma disputa pública com sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que prejudicou sua imagem entre eleitores evangélicos e mulheres", diz a publicação. Já o Página/12 adotou um tom mais crítico ao tratar da visita. Em sua publicação, o jornal classificou o episódio como uma interferência “descarada” nas eleições brasileiras e afirmou que Milei cruzou “uma nova linha vermelha” ao insultar Lula em território brasileiro. "O presidente, que fantasia em criar seu próprio 'Grupo Lima' e se tornar uma figura de destaque da direita regional, cruzou uma nova linha vermelha ao chamar seu homólogo brasileiro de 'ladrão'. Ele também chamou o juiz Alexandre de Moraes, que lhe negou um confronto com Jair Bolsonaro, de 'lixo careca'. Ao fazer isso, ele mergulhou de cabeça na campanha eleitoral do país vizinho, que definiu como uma 'batalha' para continuar erradicando o socialismo da região", diz o texto. Segundo a publicação, o presidente argentino busca se consolidar como uma das principais lideranças da direita na América Latina e acredita que pode influenciar a disputa presidencial no Brasil. O Página/12 também comparou o episódio aos ataques feitos por Milei ao primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e afirmou que as declarações representam uma resposta ao apoio demonstrado por Lula ao então candidato Sergio Massa durante a eleição presidencial argentina de 2023. Entenda O presidente argentino Javier Milei durante convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo Javier Milei fez um longo e duro discurso durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), no sábado, em São Paulo, no qual criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e disse confiar em Flávio Bolsonaro (PL) para “evitar o socialismo”. Milei pediu para os brasileiros “irem às urnas em 4 de outubro pelo futuro do Brasil” e, com seu tradicional bordão “viva la libertad, carajo”, ainda fez menção ao problema do crime organizado no Brasil e na América Latina. — Eu creio que Flávio somente pode parar Lula, e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros. (...) Creio firmemente que não há outro capaz de parar o efeito de Lula sobre o país. E não há outro para fazer de frente às organizações criminais e narcotráficos, e nisso eu confio plenamente em Flávio Bolsonaro — disse. O argentino citou a corrupção como um problema que assola todos os países da América Latina, “como um fenômeno atemporal”, e que a esquerda fez do continente um "laboratório de experimentos de sua política". – Já tentamos o garantismo, já tentamos a paciência e a piedade com quem comete crimes, e todas e cada uma dessas estratégias socialistas fracassaram. Por isso, os brasileiros já sabem que existe apenas uma fórmula bem-sucedida para erradicar a criminalidade: quem faz, paga (...) Já demonstramos que tudo isso é possível na Argentina. Demonstramos que é possível reduzir a criminalidade e recuperar a ordem pública quando se tem mão firme e se pune quem comete crimes – afirmou o argentino. Milei também falou das condições econômicas de seu país quando ele assumiu o cargo, atrelando isso ao socialismo. Ele criticou o chamado Foro de São Paulo “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”. — O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo — falou. O presidente argentino também xingou o Alexandre de Moraes, ministro do STF que proibiu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. — O lixo não me permitiu visitar o meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández — declarou Milei, que havia anunciado na semana passada, durante uma entrevista em seu país, a intenção de visitar Bolsonaro. Milei é aliado da família Bolsonaro e chegou a afirmar que Jair Bolsonaro sofre “perseguição judicial” no Brasil. A proximidade do argentino com o bolsonarismo é um dos temas que a campanha de Flávio pretende explorar como demonstração do alinhamento entre os dois líderes e mais um capítulo da estratégia de aproximação com nomes da direita internacional.