Nada como a extrema direita para degradar a política em espetáculo de grosseria e vulgaridade! Foi o que se viu do presidente argentino Javier Milei, na convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Em seu prolixo discurso, entrecortado por palavrões, o mandatário do país vizinho ofendeu o presidente Lula e um ministro do Supremo. Terminou sua participação cantando, em tom alucinado, um rock que dizia: "Eu sou o leão, rei de um mundo perdido", "sou o rei e te destroçarei". Na verdade, o autoproclamado manda-chuva das selvas veio ao Brasil como arauto da "onda azul", tratando de adular Donald Trump, que se empenha em transformar a América Latina em território dominado por aliados ultradireitistas.

A ominosa participação de Milei em apoio ao candidato do clã Bolsonaro confirma a ruptura de um padrão de relacionamento entre Argentina e Brasil, estabelecido quando os dois países se democratizaram, já lá se vão quase 40 anos.

Mais de duas décadas atrás, os cientistas políticos portenhos Roberto Russell e Juan Gabriel Tokatlian publicaram "El lugar de Brasil en la política exterior argentina", pequeno-grande livro que focaliza as relações bilaterais em perspectiva histórica e do ângulo das visões sobre elas prevalecentes em seu país. Argumentam os autores que as ações externas argentinas nunca tiveram o Brasil como inimigo.