Declaração ocorre dias após o presidente argentino atacar Lula na convenção partidária do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto — Foto: Ricardo Stuckert/PR O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou, nesta segunda-feira (27), o presidente da Argentina, Javier Milei, após críticas do argentino ao petista. "Quem é esse cara?", perguntou Lula, ao ser questionado antes de agenda com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, no Palácio Itamaraty. A declaração ocorre dias após o presidente argentino ter atacado Lula durante a convenção partidária do PL, no último sábado (25), em São Paulo. O evento oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Ao lado de Flávio, Milei chamou o petista de "ladrão" e "presidiário". O líder argentino também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem classificou como um "lixo careca" por ter barrado sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar em Brasília após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. "Quis ir ver meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram, mas aqui o ex-presidiário veio cumprimentar a presidiária, não é? Ninguém o proibiu de nada. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo, que, além disso, está injustamente preso", declarou o presidente argentino, em referência a Lula e à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar e foi visitada pelo petista no ano passado. Como mostrou o Valor, integrantes do governo Lula avaliam que a relação entre o Brasil e Argentina ficou estremecida após os ataques de Milei. Apesar disso, os impactos no longo prazo ainda estão sendo calculados, já que a declaração contra o sistema brasileiro é considerada inédita em 203 anos de relação entre os países. As declarações de Milei levaram o Palácio do Planalto a convocar para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também convocou, no domingo (26), o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do governo brasileiro.